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O que os candidatos propõem para as mulheres? Pesquisa aponta lacunas nos planos de governo

Brasil e Mundo

A corrida presidencial brasileira traz à tona um debate essencial: o quanto os planos de governo realmente priorizam as necessidades da mulher brasileira? Um novo levantamento realizado pelo Instituto Update analisou 12 candidaturas e revelou que, embora as pautas femininas estejam presentes, a qualidade e o foco dessas propostas ainda deixam a desejar.

Foco na vítima, ausência na política

A pesquisa aponta uma tendência clara nos programas analisados: as mulheres são tratadas majoritariamente como destinatárias de auxílios e vítimas de violência, mas raramente como protagonistas ou tomadoras de decisão. Enquanto temas como saúde e combate ao feminicídio aparecem em 75% dos planos, a participação política feminina — que conta com amplo apoio popular — é ignorada por quase todos os candidatos.

O drama da insegurança urbana

Outro ponto crítico levantado pelo estudo é a visão limitada de segurança pública. Muitos planos focam apenas no combate à criminalidade, ignorando o cotidiano de milhões de mulheres que sentem medo ao utilizar transportes públicos ou caminhar pelas cidades. Apenas um dos 12 planos de governo associa explicitamente a segurança feminina à necessidade de melhorias na mobilidade urbana e na infraestrutura.

Disputa pela autonomia econômica

Embora a maioria dos candidatos mencione a autonomia econômica, o conceito é interpretado de formas distintas. Enquanto uns focam em igualdade salarial e proteção social, outros restringem a discussão ao empreendedorismo e acesso a crédito. Essa divergência demonstra que, apesar da unanimidade sobre a importância da independência financeira, os caminhos propostos variam drasticamente entre os espectros políticos.

O desafio do cuidado

As políticas de cuidado, como a oferta de creches, surgem como um consenso necessário. Mais da metade dos candidatos reconhece que a sobrecarga doméstica é um obstáculo para a participação da mulher no mercado de trabalho. Contudo, a grande questão que permanece sem resposta é o papel do Estado: se o cuidado será tratado como um dever público ou se a responsabilidade continuará recaindo, em última instância, sobre a estrutura familiar tradicional.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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