Alinhamento estratégico entre Brasil e China
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder chinês, Xi Jinping, mantiveram uma conversa telefônica de mais de uma hora na noite do último domingo (26). No centro do diálogo, esteve a proposta de uma zona de livre comércio entre o Mercosul e a China. Segundo a Secretaria de Comunicação Social (Secom), ambos os mandatários concordaram com a urgência de acelerar as negociações, buscando um formato que garanta as flexibilidades necessárias para viabilizar o acordo.
Cooperação em tecnologia e infraestrutura
Além da agenda comercial, a conversa reforçou o interesse mútuo em aprofundar parcerias em setores de alta tecnologia. Entre as prioridades listadas, destacam-se projetos de inteligência artificial, cooperação espacial por meio de satélites, o processamento de minerais críticos e o fortalecimento do mercado de fertilizantes. Os presidentes também celebraram o sucesso de iniciativas recentes, como a isenção de vistos para viagens de curta duração e as atividades culturais do “Ano Brasil-China 2026”, que visam estreitar os laços entre os dois povos.
Preocupações globais e segurança
A instabilidade internacional foi um ponto crítico da reunião. Lula e Xi Jinping expressaram forte apreensão com a crise humanitária em Gaza e os impactos negativos das tensões geopolíticas na segurança alimentar e energética mundial. Os líderes destacaram os riscos das restrições à livre navegação nos estreitos de Ormuz e Bab el-Mandeb, alertando que tais bloqueios trazem consequências graves para a economia global.
Diplomacia e o papel do Sul Global
No campo diplomático, os presidentes reafirmaram o compromisso com o multilateralismo e com a coordenação de ações em fóruns internacionais. Ambos os líderes destacaram a relevância do “Grupo de Amigos da Paz”, iniciativa capitaneada pelos dois países na ONU para mediar soluções pacíficas, especialmente no conflito entre Rússia e Ucrânia. A conversa também serviu para pontuar a insatisfação dos governos com a atual incapacidade do Conselho de Segurança da ONU em responder de forma eficaz aos conflitos contemporâneos.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

