Neste sábado (25), o Brasil celebra o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, data que também marca o Dia Nacional de Tereza de Benguela. A efeméride reforça o reconhecimento da trajetória de resistência feminina e a necessidade de avançar na garantia de direitos fundamentais para a população negra.
O legado da Rainha Tereza
Tereza de Benguela, figura central do século XVIII, tornou-se um símbolo máximo de liderança quilombola. Após o assassinato de seu companheiro, José Piolho, ela assumiu o comando do Quilombo do Quariterê, em Mato Grosso. Durante duas décadas, “Rainha Tereza” liderou uma comunidade diversa de mais de 100 pessoas, incluindo negros e indígenas, mantendo uma estrutura de resistência contra a escravidão organizada de forma coletiva, semelhante a um parlamento.
Embora parte da sua biografia permaneça envolta em mistério — como a sua origem geográfica ou o desfecho exato da sua vida — o seu exemplo de enfrentamento ao sistema opressor ecoa até hoje. Leonor Costa, jornalista, pesquisadora em Direitos Humanos e militante do Movimento Negro Unificado, resume o impacto dessa memória: “Teresa de Benguela tem a nos ensinar que, diante da opressão, não há outra alternativa que não seja a luta e o enfrentamento de um sistema que oprime”.
A urgência da titulação de terras
O foco principal das mobilizações deste ano é o direito à terra. Para Selma Dealdina Mbaye, da Coordenação Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq), a força de Tereza de Benguela se materializa hoje na luta cotidiana pelo território. Ela aponta que a titulação das terras quilombolas é uma medida urgente e inadiável.
“A maioria do público dos territórios quilombolas é formada por mulheres, que anseiam por ver suas terras tituladas, livres da grilagem, da mineração predatória e de todas as formas de violência”, afirma. Atualmente, o Brasil abriga cerca de 8 mil comunidades quilombolas, reunindo mais de 1,3 milhão de pessoas em 24 estados, o que reforça a necessidade de políticas públicas eficazes para a segurança desses territórios.
Mobilização nacional e o “Julho das Pretas”
A data de 25 de julho foi oficializada no Brasil em 2014, somando-se ao marco internacional de 1992, estabelecido em Santo Domingo, que uniu vozes contra o racismo e as desigualdades enfrentadas por mulheres negras em todo o continente.
No Brasil, a mobilização ganha força com o “Julho das Pretas”, iniciativa criada pelo Instituto da Mulher Negra Odara. Em sua 14ª edição, o calendário conta com mais de 600 atividades espalhadas pelo país. Entre as ações de destaque deste ano, a Marcha das Mulheres Negras de São Paulo levanta o grito por justiça pelo caso de Luana Barbosa, mulher negra e lésbica, morta há dez anos após uma abordagem policial violenta no interior paulista. A pauta da Marcha reforça que a luta por direitos, segurança e justiça é uma constante na história contemporânea das mulheres negras brasileiras.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

