Nesta quinta-feira (13), Cuba atinge o ponto alto de um extenso calendário de homenagens que marca o centenário de nascimento de Fidel Castro Ruz. O líder, que transformou a ilha caribenha ao consolidar a Revolução Cubana em 1959, é celebrado em meio a um cenário de contrastes, onde o peso de seu legado histórico divide espaço com uma realidade de profundas dificuldades econômicas.
Crise energética e pressão política
Enquanto o país relembra a figura histórica, o cotidiano da população é marcado pelo desafio da escassez. O termo ‘blecaute’ tornou-se parte frequente do vocabulário dos cubanos, que enfrentam um sistema elétrico obsoleto e recorrentes apagões. A crise energética é agravada pela dificuldade de importar combustíveis, um entrave direto do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos, que se arrasta desde 1962.
O atual governo cubano, liderado por Miguel Díaz-Canel, classifica a pressão americana como um ‘genocídio político’. A situação humanitária gerou alertas de especialistas da ONU, que pedem medidas urgentes para evitar que a ilha enfrente uma catástrofe social semelhante à crise em Gaza.
O trajeto de um revolucionário
A trajetória de Fidel começou em Birán, no interior da ilha, culminando na fundação do Movimento 26 de Julho após o frustrado ataque ao Quartel Moncada em 1953. Com o histórico discurso ‘A História me Absolverá’, o líder rebelde ganhou projeção e, após o exílio e o retorno no iate Granma, consolidou o poder em 1959. Durante quase 50 anos no comando, Castro implementou reformas profundas em saúde e educação, ao mesmo tempo em que foi alvo de críticas contundentes por organizações de direitos humanos devido à repressão ao dissenso político e à ausência de alternância democrática.
O legado em debate
A figura de Fidel Castro permanece sendo um dos temas mais polarizados da América Latina. Acadêmicos destacam que, se por um lado o regime alcançou índices de desenvolvimento social elogiáveis, por outro, deixou uma estrutura de dependência econômica e vulnerabilidade institucional. A professora Adriane Aparecida Vidal Costa (UFMG) aponta que o embargo americano funcionou, em diversas instâncias, como uma justificativa para o endurecimento interno do regime.
À medida que Cuba avança para uma nova etapa histórica, o nome de Fidel permanece como uma marca indelével. Entre homenagens oficiais e o debate sobre os rumos políticos futuros, a ilha segue buscando caminhos para equilibrar sua soberania histórica com as necessidades urgentes de modernização e bem-estar de seu povo.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

