O que antes era apenas um problema de descarte nas redes de esgoto de Manaus, agora pode ser a chave para uma energia mais limpa na Amazônia. Pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) desenvolveram uma tecnologia inovadora capaz de transformar a gordura residual de indústrias, shoppings e restaurantes da capital em biocombustíveis de alta performance.
Do lixo ao combustível de alta tecnologia
O projeto, conduzido pelo Grupo de Pesquisa em Tecnologias Biossustentáveis da Amazônia (GP-TECBIOAM), utiliza um processo químico avançado conhecido como craqueamento termocatalítico. A gordura, após passar por um rigoroso processo de limpeza, é processada com um catalisador exclusivo desenvolvido pela própria equipe, o que permite converter cerca de 70% da matéria-prima em bio-óleo, com pureza que chega a 90% de hidrocarbonetos.
Variedade e utilidade pública
A tecnologia desenvolvida em laboratório já provou ser versátil. Entre os produtos obtidos estão desde a biogasolina e o bioquerosene de aviação até o diesel verde e o biobunker para grandes navios. Além da energia, a pesquisa trouxe uma solução para a infraestrutura urbana: os resíduos mais densos do processo estão sendo testados como ligantes asfálticos para pavimentação de vias.
Rumo à escala industrial
Atualmente, Manaus descarta cerca de 20 toneladas de gordura residual por dia. O professor Douglas Alberto Rocha de Castro, coordenador do estudo, destaca que o foco agora é escalar a produção. Com a montagem de unidades piloto, a equipe busca viabilizar a tecnologia para uso comercial e atender, prioritariamente, comunidades isoladas da região que ainda dependem de combustíveis fósseis caros e poluentes para gerar energia elétrica.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

