Um dos marcos fundamentais do cinema brasileiro está de volta às telas. A partir desta quinta-feira (16), o clássico Xica da Silva (1976), dirigido por Cacá Diegues, retorna aos cinemas em uma impecável versão restaurada em 4K, celebrando os 50 anos de seu lançamento original. A iniciativa integra o projeto Sessão Vitrine Petrobras, que visa resgatar e recolocar em circulação obras que definiram a identidade audiovisual do país.
Um ícone em 4K
O longa foi responsável por reinventar a narrativa sobre a figura histórica de Chica da Silva, a mulher negra escravizada que desafiou as estruturas do século 18 ao alcançar uma posição de prestígio no Distrito Diamantino, em Minas Gerais. Além de consolidar Zezé Motta como um dos maiores nomes da dramaturgia nacional, o filme conquistou prêmios importantes e levou mais de 3,1 milhões de espectadores aos cinemas na década de 1970.
O processo de restauração digital foi coordenado por Débora Butruce, que ressaltou a importância de devolver à obra sua estética original, sem alterar o conteúdo. Segundo a pesquisadora, restaurar é um ato de preservação contra a ação do tempo: “É trazer de volta a potencialidade estética original. Essas restaurações desconstruem a ideia de precariedade do cinema brasileiro e permitem que novas gerações vejam o filme exatamente como ele foi exibido há 50 anos”.
Memória e Carnaval
A pré-estreia, realizada na última segunda-feira (14) na Sala José Wilker, no Rio de Janeiro, foi marcada por homenagens ao cineasta Cacá Diegues, falecido no ano passado. O evento destacou uma curiosidade histórica: a inspiração para o filme nasceu do desfile da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro em 1963, que homenageou a mesma personagem. A conexão se mantém viva, já que a agremiação levará novamente a trajetória de Xica da Silva para a avenida em 2027.
Zezé Motta e o legado de Cacá Diegues
A protagonista Zezé Motta, ovacionada pelo público, celebrou o interesse contínuo do público pela obra após cinco décadas. A produtora Renata Almeida Magalhães, viúva de Cacá Diegues, também relembrou a força do filme, descrevendo-o como “um carnaval na tela”. Para ela, o longa permanece atual por tratar das ambiguidades brasileiras com a mesma vivacidade de 1976.
“O Xica sempre foi o termômetro de sucesso da carreira do Cacá. Ele adorava ser um cineasta popular e ver esse filme, que continua conversando com a plateia hoje, é a prova da genialidade daquela produção”, concluiu Magalhães.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

