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Tarifaço deve ter efeito limitado na balança comercial brasileira

Brasil e Mundo Economia

O recente aumento de tarifas imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros terá um impacto macroeconômico limitado na balança comercial do Brasil. Embora a medida afete setores estratégicos da indústria nacional, apenas 18% das exportações brasileiras com destino ao mercado americano foram atingidas, poupando as principais commodities que sustentam o superávit do país.

Impacto setorial concentrado

Especialistas apontam que o peso do “tarifaço” não será distribuído de forma homogênea. O impacto será severo para segmentos industriais que possuem alta dependência do mercado norte-americano e pouca flexibilidade para buscar novos compradores. Entre os setores mais pressionados estão o de máquinas e equipamentos, siderurgia (aço e alumínio), calçados e o setor automotivo.

Para José Augusto de Castro, presidente executivo da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), o risco real reside na fragilização da indústria de transformação, responsável por gerar empregos de maior valor agregado. A barreira comercial abre, na prática, uma janela de oportunidade para que concorrentes internacionais ocupem o espaço antes preenchido pelos produtos brasileiros.

Mudança no perfil comercial

Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) confirmam um cenário de recuo nas trocas bilaterais. No primeiro semestre de 2026, o fluxo comercial entre os dois países somou US$ 36,4 bilhões, uma queda de 12,8% na comparação anual. O Brasil encerrou o período com um déficit de US$ 1,5 bilhão, uma vez que as importações de produtos americanos superaram as exportações nacionais.

Para Lia Valls, pesquisadora do Ibre/FGV, o desempenho agregado da balança comercial brasileira não sofrerá alterações drásticas, dado que a relevância dos Estados Unidos como destino das exportações brasileiras caiu para cerca de 9,4%, com o foco da economia nacional cada vez mais voltado para o mercado asiático, especialmente a China.

Motivações políticas em pauta

A análise de especialistas sugere que a atual política tarifária de Washington deixou de seguir critérios estritamente econômicos e passou a ser utilizada como instrumento de pressão política. A justificativa para as sanções tem englobado temas heterogêneos, como decisões judiciais brasileiras, regulação de plataformas digitais, políticas ambientais e até o sistema de pagamentos Pix.

Limites para a retaliação

Diante desse cenário, o governo federal estuda recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica. Contudo, vozes do setor produtivo e da economia acadêmica são cautelosas. Tanto Lia Valls quanto José Augusto de Castro alertam que o Brasil carece de capacidade para impor uma retaliação eficaz contra a economia americana.

“Não temos cacife para retaliar. Temos tudo a perder e nada a ganhar nesse embate”, resume Castro. A recomendação dos especialistas é o uso da via diplomática e jurídica, levando o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC), em vez de uma resposta tarifária que, na prática, traria poucos ganhos e riscos elevados ao fluxo comercial brasileiro.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

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