Mesmo após 48 horas do início do vazamento de monômero de estireno na empresa Innova, localizada no Distrito Industrial, moradores e trabalhadores da região seguem relatando quadros de mal-estar. O incidente, que teve início na última quarta-feira (15) devido a uma instabilidade térmica em um dos tanques, continua gerando preocupação na população manauara.
Sintomas persistem e geram medo
O relato de quem convive com o odor químico é de apreensão. Queixas como náuseas, dores de cabeça intensas, irritação severa nos olhos — comparada à sensação de ardor por pimenta —, aperto na garganta e episódios de diarreia são constantes. A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, descreveu a rotina de quem mora próximo ao polo industrial: “Tive que manter a casa toda fechada durante boa parte do dia para tentar escapar do cheiro”.
Trabalhadores da área também denunciam a falta de assistência. O ajudante de caminhão Luiz Ferreira afirmou que, mesmo com colegas de trabalho passando mal durante o turno, as atividades na empresa onde atua não foram interrompidas. “O cheiro continuava forte e não recebemos nenhuma orientação clara sobre como proceder”, lamentou.
O que dizem os especialistas
A chefe do Departamento de Química da Ufam, Karime Bentes, alerta que o monômero de estireno é uma substância altamente volátil. Segundo a especialista, o produto evapora rapidamente e, ao se transformar em gás, pode se propagar por grandes distâncias, dependendo das condições climáticas. Além da toxicidade, a pesquisadora faz um alerta importante: a chuva pode reagir com esse gás, criando compostos nocivos que aumentam o risco de contaminação ambiental na cidade.
Impacto na saúde pública
Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) apontam que, até a tarde de sexta-feira (17), 211 pessoas buscaram atendimento médico devido à exposição ao gás. Destas, a maioria recebeu alta, mas um paciente permanece na UTI. Um óbito de um homem de 67 anos foi registrado, porém, a pasta esclareceu que o caso está sendo analisado, já que a vítima possuía histórico de doenças respiratórias crônicas.
Multas e fiscalização
A resposta das autoridades contra a Innova foi rigorosa. A Prefeitura de Manaus e órgãos ambientais, como o Ipaam, somaram multas que já ultrapassam a casa dos R$ 22 milhões. A penalização ocorre devido à poluição atmosférica, do solo e dos recursos hídricos, além de ter sido constatada a continuidade do vazamento por meio de drones com câmeras térmicas que detectaram fissuras no tanque. A empresa, em nota, limitou-se a dizer que segue os protocolos de emergência e que o incidente está sob controle.
Como se proteger
As autoridades de saúde reforçam que, ao sentir qualquer sintoma — como tontura, falta de ar ou confusão mental —, o cidadão deve buscar imediatamente uma unidade de saúde ou ligar para o Samu (192). A recomendação da Defesa Civil é manter ambientes abertos, favorecendo a ventilação natural, e evitar o uso de aparelhos que absorvam o ar externo, como sistemas de ar-condicionado central.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

