vazamento de gas toxico em manaus bombeiros seguem resfriando tanques apos 41 horas foto reproducao rede amazonica 2

Relatos de mal-estar persistem entre moradores e trabalhadores dois dias após vazamento de gás tóxico em Manaus

Amazonas

Mesmo após 48 horas do início do vazamento de monômero de estireno na empresa Innova, localizada no Distrito Industrial, moradores e trabalhadores da região seguem relatando quadros de mal-estar. O incidente, que teve início na última quarta-feira (15) devido a uma instabilidade térmica em um dos tanques, continua gerando preocupação na população manauara.

Sintomas persistem e geram medo

O relato de quem convive com o odor químico é de apreensão. Queixas como náuseas, dores de cabeça intensas, irritação severa nos olhos — comparada à sensação de ardor por pimenta —, aperto na garganta e episódios de diarreia são constantes. A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, descreveu a rotina de quem mora próximo ao polo industrial: “Tive que manter a casa toda fechada durante boa parte do dia para tentar escapar do cheiro”.

Trabalhadores da área também denunciam a falta de assistência. O ajudante de caminhão Luiz Ferreira afirmou que, mesmo com colegas de trabalho passando mal durante o turno, as atividades na empresa onde atua não foram interrompidas. “O cheiro continuava forte e não recebemos nenhuma orientação clara sobre como proceder”, lamentou.

O que dizem os especialistas

A chefe do Departamento de Química da Ufam, Karime Bentes, alerta que o monômero de estireno é uma substância altamente volátil. Segundo a especialista, o produto evapora rapidamente e, ao se transformar em gás, pode se propagar por grandes distâncias, dependendo das condições climáticas. Além da toxicidade, a pesquisadora faz um alerta importante: a chuva pode reagir com esse gás, criando compostos nocivos que aumentam o risco de contaminação ambiental na cidade.

Impacto na saúde pública

Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) apontam que, até a tarde de sexta-feira (17), 211 pessoas buscaram atendimento médico devido à exposição ao gás. Destas, a maioria recebeu alta, mas um paciente permanece na UTI. Um óbito de um homem de 67 anos foi registrado, porém, a pasta esclareceu que o caso está sendo analisado, já que a vítima possuía histórico de doenças respiratórias crônicas.

Multas e fiscalização

A resposta das autoridades contra a Innova foi rigorosa. A Prefeitura de Manaus e órgãos ambientais, como o Ipaam, somaram multas que já ultrapassam a casa dos R$ 22 milhões. A penalização ocorre devido à poluição atmosférica, do solo e dos recursos hídricos, além de ter sido constatada a continuidade do vazamento por meio de drones com câmeras térmicas que detectaram fissuras no tanque. A empresa, em nota, limitou-se a dizer que segue os protocolos de emergência e que o incidente está sob controle.

Como se proteger

As autoridades de saúde reforçam que, ao sentir qualquer sintoma — como tontura, falta de ar ou confusão mental —, o cidadão deve buscar imediatamente uma unidade de saúde ou ligar para o Samu (192). A recomendação da Defesa Civil é manter ambientes abertos, favorecendo a ventilação natural, e evitar o uso de aparelhos que absorvam o ar externo, como sistemas de ar-condicionado central.


Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *