Perícia técnica inicia apuração na Innova após vazamento
O Departamento de Polícia Técnico-Científica (DPTC) deu início, nesta segunda-feira (20), aos trabalhos de perícia na unidade 4 da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus. A ação ocorre quase cinco dias após o vazamento de monômero de estireno, uma substância altamente tóxica, que gerou pânico e mobilizou autoridades na última semana.
Nesta etapa inicial, os peritos realizam uma varredura minuciosa na área, utilizando drones para mapear o local e coletar vestígios que ajudem a esclarecer as causas do incidente. O caso, classificado pela empresa como uma “emergência química”, está sob investigação da Polícia Civil, por meio do 2º Distrito Integrado de Polícia (DIP). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), não há prazo definido para a conclusão do laudo, dada a complexidade das análises necessárias.
Riscos controlados e resfriamento contínuo
O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) confirmou que, após dias de operação intensiva, o vazamento foi contido. O coronel Orleilso Muniz, comandante-geral da corporação, afirmou que novas medições no local e no entorno não detectaram mais traços da substância no ar. No entanto, o trabalho de resfriamento do tanque e a neutralização da estrutura serão mantidos por precaução, em uma operação que pode se estender por meses.
Monitoramentos preventivos seguem sendo realizados nas proximidades, garantindo que escolas e empresas vizinhas não sejam afetadas por eventuais resíduos químicos. Com a segurança atestada, o comitê gestor da crise autorizou o retorno das atividades industriais, além da reabertura de escolas estaduais e do PAC Studio 5, que haviam interrompido seus serviços por medida de segurança.
Comunidade relata falta de preparo e sintomas
Apesar da normalização das atividades, moradores da região questionam a transparência e o preparo das autoridades e da empresa. Rosivete Ferreira, moradora de 63 anos, desabafou que a população local nunca recebeu orientações sobre como agir em emergências químicas. Para ela, o risco só se tornou evidente após a tragédia se concretizar.
A moradora relatou ter sentido na pele os efeitos da exposição ao monômero de estireno. “Senti náuseas, enjoo, aperto na garganta e dor de cabeça. Meus olhos ardiam como se estivessem cheios de pimenta”, contou, descrevendo sintomas que coincidem com as reações químicas apontadas por especialistas da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

