vazamento de gas toxico em manaus bombeiros seguem resfriando tanques apos 41 horas foto reproducao rede amazonica 3

Empresa manteve produção ininterrupta em fábrica de Manaus para esvaziar tanque de onde gás monômero de estireno vazou, diz MTE

Amazonas

Produção ininterrupta para conter risco

A fábrica da empresa Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, manteve suas atividades operacionais ininterruptas por pelo menos 48 horas após o vazamento de monômero de estireno. Segundo Francinete Lima, superintendente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) no Amazonas, a decisão foi estratégica: o uso do produto ainda armazenado no tanque danificado era necessário para acelerar o esvaziamento da estrutura e controlar a crise.

O incidente, que teve início na última quarta-feira (15), foi causado por uma elevação anormal de temperatura no reservatório. A substância, essencial na fabricação de plásticos e isopor, é tóxica e pode causar irritações graves nas vias aéreas, náuseas e tonturas. A situação na planta industrial se agravou na sexta-feira, quando drones com câmeras térmicas detectaram fissuras no tanque e confirmaram que o vazamento persistia, levando à interdição parcial da unidade.

Impactos na saúde e desdobramentos

Desde o início da ocorrência, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) registrou mais de 200 atendimentos médicos relacionados ao caso. Embora um idoso de 67 anos tenha falecido após buscar socorro, a secretaria informou que o paciente possuía histórico de doenças respiratórias crônicas e não há uma relação direta confirmada entre o óbito e a inalação do gás. Um paciente segue internado em UTI.

Especialistas alertam que o monômero de estireno, ao passar do estado líquido para o gasoso, torna-se um poluente de difícil controle. Por ser mais denso que o oxigênio, o gás tende a se dispersar por longas distâncias, podendo atingir áreas distantes do polo industrial conforme as correntes de ar.

Multas milionárias

O rigor das autoridades foi sentido no bolso da empresa. A Innova acumula agora mais de R$ 22 milhões em multas aplicadas por órgãos municipais e estaduais, como o Ipaam e a prefeitura de Manaus, devido à poluição do ar, do solo e de corpos hídricos decorrente do vazamento. Até o momento, a empresa mantém a posição de que os protocolos de segurança foram seguidos e que não houve vítimas ou incêndios causados pelo incidente.

Como se proteger

A Defesa Civil reforça a importância de manter locais ventilados e, caso note sintomas como falta de ar, confusão mental ou irritação persistente, a população deve buscar atendimento médico imediatamente ou acionar o Samu pelo número 192. A recomendação principal para quem reside nas proximidades é desligar sistemas de ventilação que captem o ar externo, como aparelhos de ar-condicionado, até que a situação seja totalmente controlada pelas autoridades.


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