Cenário de tensão no campo
O primeiro semestre de 2026 trouxe um alerta preocupante para o cenário rural brasileiro. Dados divulgados pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) revelam que, embora o número de assassinatos no campo tenha registrado queda — passando de 27 casos no primeiro semestre de 2025 para seis no mesmo período deste ano — a quantidade de conflitos agrários cresceu significativamente, saltando de 798 para 841 ocorrências.
Amazonas em destaque negativo
O cenário é crítico na região Norte. O Amazonas, especificamente, apresentou um salto de 140% no número de conflitos em comparação ao ano passado, subindo de 37 para 52 registros. O estado figura agora entre os cinco que mais concentram tensões no campo, atrás apenas de Maranhão, Pará, Bahia e Rondônia.
Mercantilização e novos desafios
Segundo a CPT, a intensificação da financeirização da terra e a corrida por recursos, incluindo terras raras e a exploração de água, têm acirrado os ânimos. A contaminação por agrotóxicos e o desmatamento ilegal aparecem como as formas mais recorrentes de violência contra comunidades tradicionais, posseiros e povos indígenas.
Conflitos pela água
A disputa pelos recursos hídricos também se agravou, dobrando em relação ao ano passado. Com 100 registros em 20 estados, a briga pela água envolve desde a resistência contra a privatização de rios até o enfrentamento direto contra a mineração e o garimpo ilegal. O Pará e o Amazonas estão no epicentro desta nova onda de tensão.
Resistência e sobrevivência
Mesmo diante do quadro violento, a CPT ressalta que a resistência das comunidades permanece ativa. O aumento no número de manifestações — que chegou a 284 atos no primeiro semestre — demonstra que os trabalhadores rurais seguem organizados na defesa de seus territórios e na luta por políticas públicas que garantam a permanência com dignidade no campo.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

