Em um mundo que enfrenta o avanço alarmante da desertificação e da crise climática, uma solução inesperada cresce silenciosamente sob nossos pés. Cientistas estão apostando em fungos micorrízicos — redes subterrâneas complexas e invisíveis a olho nu — para regenerar solos esgotados e devolver o vigor a ecossistemas inteiros.
Um banco de dados vivo no subsolo
Durante a 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17), pesquisadoras apresentaram estudos que revelam como esses fungos funcionam em simbiose com as plantas. Eles atuam como um sistema circulatório, trocando nutrientes essenciais e água por carbono, além de criar uma “infraestrutura viva” que mantém o solo coeso e resistente a secas.
A estratégia do isolamento
Na Mongólia, experimentos liderados pela ecóloga Burenjargal Otgonsuren têm mostrado resultados promissores. Ao cercar pequenas áreas de pastagem, a equipe permitiu que o solo recuperasse sua biodiversidade microbiana natural, sem a pressão do pisoteio animal ou da atividade humana. O resultado foi uma vegetação mais alta e saudável dentro das áreas protegidas, funcionando como um verdadeiro “banco de sementes” biológico para futuras restaurações.
Tesouros científicos escondidos
A pesquisa revelou um dado impressionante: cerca de 90% das espécies de fungos analisadas nas estepes mongóis ainda são desconhecidas pela ciência. Essa biodiversidade única, altamente adaptada aos extremos do deserto, reforça a necessidade urgente de proteger microrganismos endêmicos. Segundo a bióloga Toby Kiers, diretora da Society for the Protection of Underground Networks (SPUN), as políticas ambientais precisam superar o viés de priorizar apenas o que está acima do solo.
Rumo a políticas globais
A meta agora é integrar o monitoramento desses fungos às políticas públicas de combate à desertificação. Com 90% dos pontos críticos de biodiversidade microbiana localizados fora de áreas protegidas, a ciência defende que a preservação do solo saudável deve ser tratada como prioridade estratégica no enfrentamento às mudanças climáticas globais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

