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Cinema brasileiro se despede de Luiz Carlos Barreto

Brasil e Mundo Cultura

O cinema brasileiro despediu-se, nesta quinta-feira (23), de uma de suas figuras mais icônicas: o produtor, fotógrafo e cineasta Luiz Carlos Barreto, o Barretão. Aos 98 anos, ele deixou um legado inestimável que ajudou a moldar a identidade cultural do país. O velório, realizado no Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro, reuniu familiares, artistas e personalidades que celebraram sua trajetória dedicada a projetar o Brasil no mundo.

Um olhar fotográfico sobre a alma brasileira

Nascido em Sobral (CE) e radicado no Rio de Janeiro, Barreto iniciou sua carreira no fotojornalismo, onde desenvolveu um olhar apurado para captar as contradições e a força do povo brasileiro. Essa sensibilidade visual foi a base para sua transição ao cinema, transformando a sétima arte em uma ferramenta poderosa de reflexão política e social. Sob seu selo, o cinema nacional alcançou os maiores palcos internacionais, incluindo o prestigiado Festival de Cannes e indicações ao Oscar.

O criador do gesto eterno

Durante a cerimônia, seu filho, o cineasta Bruno Barreto, compartilhou uma curiosidade que revela o impacto de seu pai muito além das telas. O hábito de capitães de seleções campeãs levantarem a taça após a conquista surgiu por um pedido de Luiz Carlos Barreto. Enquanto trabalhava como fotógrafo da revista O Cruzeiro na Copa de 1958, Barreto sugeriu que o capitão Bellini erguesse o troféu para que ele conseguisse uma imagem melhor entre os fotógrafos presentes. O gesto tornou-se uma tradição mundial.

Cinema como projeto de nação

Mais do que um produtor, Barretão foi um articulador visionário. Ao lado de sua esposa, a produtora Lucy Barreto, construiu uma trajetória que elevou o audiovisual brasileiro a um patamar industrial e artístico sólido. Amigos e colegas de profissão destacaram que o produtor colocava a causa do cinema nacional acima de interesses pessoais. Um exemplo claro desse ideal foi a fundação do Canal Brasil, concretização de um sonho antigo de Barreto de oferecer um espaço exclusivo para a produção audiovisual do país.

Referência para gerações

A presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Antonia Pellegrino, ressaltou que Luiz Carlos Barreto transcendeu a função de cineasta, tornando-se um pensador fundamental sobre o futuro do Brasil. “Era um brasileiro que precisa estar na prateleira de cima da nossa história”, afirmou. Esse sentimento foi compartilhado por diversas gerações de cineastas, incluindo aqueles que deram seus primeiros passos no setor sob a tutela de Barretão, tratando-o, muitas vezes, como uma figura paterna na profissão.

Ao encerrar as homenagens, a memória que permanece é a de um homem que transformou o set de filmagem em um ambiente familiar e de constante debate sobre o país. Sua obra não apenas documentou a história do Brasil, mas ajudou a construir a própria autoestima cinematográfica da nação, deixando um bastão que agora é carregado por todos aqueles que seguem acreditando na força de nossas histórias.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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