Escândalo no Miriti: Denúncia aponta ‘rachadinha’ em batalhão de Manacapuru
Uma grave denúncia protocolada junto às corregedorias da Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM) e do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) colocou sob suspeita a atuação da corporação em Manacapuru, município a cerca de 100 quilômetros de Manaus. O documento aponta a existência de um esquema de “rachadinha” envolvendo militares escalados para o Balneário do Miriti, um dos pontos de lazer mais frequentados da cidade.
Conforme o relato, os bombeiros eram designados para o posto, mas abandonavam o serviço antes do término do turno. A denúncia sugere que, em troca da flexibilidade no horário, parte do pagamento recebido pelos militares seria repassado ao comando da unidade.
Ausência e relatos dos banhistas
O Balneário do Miriti é conhecido pelo fluxo constante de banhistas, apesar dos alertas sobre o risco de ataques de piranhas. Moradores da região afirmam que a presença dos bombeiros é rara e, quando ocorre, é meramente protocolar. “Eles vêm pela parte da manhã, batem uma foto e vão embora”, relatou um morador sob condição de anonimato.
Em vídeos que circulam sobre o caso, frequentadores do balneário manifestam revolta com a falta de assistência em situações de emergência. “Já é quase 13h e não tem um bombeiro aqui. Tivemos que nos virar sozinhos, não há ninguém para prestar socorro caso aconteça algo”, desabafa um banhista nas imagens.
Escalas falsas e áudios comprometedores
O esquema teria sido articulado pelo comando do batalhão local, sob responsabilidade do tenente Emerson de Oliveira Silva, entre janeiro e abril deste ano. Para sustentar a farsa, os envolvidos realizariam o registro fotográfico do serviço, manipulando dados de geolocalização nos celulares para simular permanência no local.
Um áudio anexado à denúncia, atribuído a uma tenente, reforça a suspeita de desvio de verbas. Na gravação, a militar menciona a arrecadação de valores para uma “caixinha” destinada à compra de equipamentos, como um notebook para o batalhão.
Furto de lancha e destino de madeira sob investigação
A denúncia vai além das escalas fraudulentas e aponta irregularidades administrativas. O documento associa a falta de vigilância no balneário ao furto de uma lancha da corporação, ocorrido em 14 de março. Embora o caso tenha sido registrado em boletim de ocorrência, detalhes sobre a investigação permanecem sob sigilo.
Outro ponto que exige explicações é o paradeiro de carregamentos de madeira doados pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) ao Corpo de Bombeiros de Manacapuru. O documento entregue às corregedorias alega que o material doado em junho e agosto de 2024 teria desaparecido, levantando suspeitas sobre o uso irregular desses ativos.
Diante das acusações, a população de Manacapuru cobra uma resposta enérgica das autoridades estaduais para garantir a transparência no uso do dinheiro público e a segurança dos banhistas que frequentam o Miriti.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

