51193218629 537e724ba4 k

Avanço da desertificação coloca em risco segurança hídrica e alimentar de 39 milhões de brasileiros

Brasil e Mundo

Um desafio silencioso avança pelo território brasileiro: a desertificação. O fenômeno, que já afeta a vida de 39 milhões de pessoas — incluindo agricultores, povos indígenas e comunidades tradicionais —, é uma ameaça real à segurança hídrica e alimentar do país. Diferente dos desertos áridos do Saara, a desertificação brasileira ocorre pela degradação de terras que antes eram férteis, impulsionada por práticas humanas inadequadas e pelas mudanças climáticas.

O alerta dos números

Atualmente, 18% do território nacional é considerado uma Área Suscetível à Desertificação (ASD). Entre 2000 e 2020, o Brasil perdeu cerca de 170 mil quilômetros quadrados para esse processo, uma área equivalente aos estados de Pernambuco, Paraíba e Alagoas somados. O problema atinge com força o Nordeste, mas avança por regiões de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Mato Grosso do Sul.

A Caatinga como aliada essencial

Embora a Caatinga enfrente níveis críticos de degradação, o bioma é um protagonista na luta climática. Pesquisas apontam que o solo da Caatinga é um reservatório estratégico de carbono. O pesquisador Aldrin Martin Pérez-Marín, do Instituto Nacional do Semiárido (Insa), reforça: “A Caatinga não é o problema, ela é parte da solução”. O bioma atua como um “cofre natural”, essencial para o equilíbrio do clima global, o que torna sua preservação uma prioridade urgente nas discussões internacionais.

Soluções e políticas públicas

Para frear esse avanço, o Governo Federal lançou o Plano de Ação Brasileiro (PAB-Brasil 2025–2043) e o programa “Recaatingar”, que visa recuperar 10 milhões de hectares em duas décadas. Tecnologias sociais, como a construção de cisternas e o manejo agrossilvipastoril, têm se mostrado fundamentais. Essas iniciativas, aliadas à sabedoria ancestral das comunidades locais, provam que é possível conciliar a produção de alimentos com a restauração do solo.

Visibilidade internacional

O Brasil leva esses debates para a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), que acontece na Mongólia. O objetivo central é sensibilizar o mundo para a importância do Semiárido e integrar políticas que garantam a resiliência das populações mais vulneráveis frente à crise climática, assegurando que o futuro do campo e das cidades permaneça sustentável.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *