Crise ambiental em Iranduba
O pesadelo dos moradores de Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus, parece não ter fim. O incêndio que atinge o lixão municipal no ramal do Janauari, às margens da rodovia AM-070, completa neste sábado (15) mais de 40 horas ininterruptas de chamas. O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) mobilizou 15 homens e dez viaturas para tentar conter o fogo, que se espalha por uma área crítica de cerca de 40 mil metros quadrados.
Qualidade do ar e impacto na saúde
A fumaça tóxica tomou conta da região e os efeitos já são sentidos drasticamente pela população. O sistema Selva, da UEA, classificou a qualidade do ar como ‘muito ruim’, com índices que superam 153 µg/m³, um valor muito acima do limite considerado saudável. Relatos de crianças passando mal e famílias abandonando suas casas em busca de refúgio em Manaus tornaram-se comuns, enquanto moradores denunciam a falta de máscaras de proteção para quem permanece nas áreas mais afetadas.
Um combate complexo e profundo
Segundo o coronel Orleilso Muniz, comandante do CBMAM, a operação é extremamente complexa. O fogo não queima apenas na superfície, mas penetra nas camadas profundas da pilha desordenada de lixo acumulada ao longo dos anos. Para o combate, as equipes estão utilizando mais de 340 mil litros de água combinados com um líquido gerador de espuma, tecnologia essencial para atingir os focos subterrâneos. A previsão é que o trabalho ainda se estenda por vários dias.
Prefeitura multada em R$ 2,5 milhões
Diante do desastre ambiental, o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) aplicou uma multa de R$ 2,505 milhões à Prefeitura de Iranduba. A penalidade decorre da prática de queima de resíduos sólidos a céu aberto, configurando crime ambiental. O órgão ressalta que o local já possui um histórico de irregularidades e autuações recorrentes há pelo menos três anos. A gestão municipal tem agora um prazo de 20 dias para apresentar defesa ou realizar o pagamento.
Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução.

