A Polícia Federal (PF) concluiu as investigações sobre a queda da aeronave da Voepass em Vinhedo (SP), ocorrida em agosto de 2024, e indiciou 16 pessoas por envolvimento no desastre. O acidente, que envolveu um turboélice ATR 72-500, resultou na morte de todas as 62 pessoas a bordo.
Cultura de omissão e negligência
Entre os indiciados está o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho, além de diversos diretores, chefes de operações e manutenção. A investigação apontou que a aeronave decolou sem condições técnicas de enfrentar as condições climáticas adversas daquele dia, com sistemas essenciais, como o de degelo, inoperantes.
Orientações para ocultar falhas
Segundo o delegado André Ribeiro, da PF em Campinas, a empresa cultivava uma prática deliberada de omitir problemas técnicos. Havia uma diretriz interna para que pilotos não relatassem falhas nos registros pós-voo, garantindo que o avião continuasse em operação mesmo sob riscos. Relatos indicam que, mesmo diante de alertas sonoros e visuais de perigo durante o voo final, nenhuma medida foi tomada pela tripulação.
Justiça e próximos passos
A Justiça Federal impôs restrições de saída do país aos indiciados enquanto o Ministério Público Federal analisa o inquérito para oferecer denúncia. A PF também solicitou o compartilhamento dos dados com a Anac para verificar possíveis falhas de fiscalização por parte do órgão regulador. Familiares das vítimas, por meio de associação, classificaram a atuação da empresa como criminosa e preparam ações coletivas por danos morais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

