Uma paciente que realizou uma ninfoplastia em uma clínica de estética em Manaus relatou um pesadelo após o procedimento. O que deveria ser uma cirurgia simples de correção tornou-se um caso grave de infecção e negligência médica, fatos que ganharam repercussão após a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrar, nesta quarta-feira (22), uma operação contra clínicas que realizavam cirurgias irregulares na capital.
O início da negligência
A vítima, que optou pelo anonimato, procurou a rede de clínicas “EstetiClin” atraída por conteúdos publicados em redes sociais. Segundo ela, o descaso começou logo na avaliação inicial: não houve qualquer análise criteriosa de seu histórico de saúde antes de a cirurgia ser agendada. Logo após o procedimento, o quadro de saúde da paciente piorou drasticamente. Ela apresentou inflamação severa, secreção, febre alta, vômitos e até confusão mental.
Ao tentar contato com a profissional responsável, a paciente afirma que foi sumariamente ignorada. “Segui rigorosamente todas as orientações, mas, quando busquei ajuda, diziam que ‘estava tudo bem’, mesmo com o quadro visivelmente grave”, desabafou a vítima.
Sequelas permanentes e socorro hospitalar
Diante da falta de suporte da clínica, a mulher buscou socorro no Hospital da Mulher. Na unidade de emergência, o diagnóstico foi alarmante: a região operada apresentava dilaceração, inflamação aguda e presença de pus. Após meses de tratamento com medicações pesadas, a infecção foi contida, mas a paciente afirma que sofreu danos irreversíveis, incluindo a perda total da sensibilidade no clitóris.
A vítima já reuniu um dossiê com prontuários médicos, laudos periciais e registros das conversas com a clínica para embasar a denúncia junto às autoridades.
Investigação policial revela irregularidades
A operação policial mirou unidades da EstetiClin no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul, e na Zona Leste de Manaus. As investigações apontam que o estabelecimento utilizava um laser de CO₂ — capaz de realizar incisões profundas — para realizar procedimentos que eram vendidos como “cirurgias íntimas a laser sem cortes”.
O delegado responsável pelo caso reforçou que as cirurgias eram feitas sem o respaldo de uma equipe médica de apoio e em salas sem as condições sanitárias exigidas para este tipo de intervenção. Durante a ação, policiais apreenderam equipamentos, documentos e aparelhos eletrônicos. As investigadas foram encaminhadas ao 4º Distrito Integrado de Polícia (DIP) para prestar esclarecimentos.
O que diz a clínica
Em nota oficial, a EstetiClin Muniz confirmou que suas atividades estão temporariamente suspensas devido à fiscalização. A empresa afirmou estar colaborando com a polícia e justificou que está sem acesso aos seus canais de atendimento, mas garantiu que nenhum paciente será financeiramente prejudicado pelos cancelamentos. Até o momento, a rede não se manifestou especificamente sobre as denúncias de negligência da paciente citada na reportagem.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

