Justiça torna réus quatro homens por destruição no Parque Nacional Mapinguari
A Justiça Federal no Amazonas aceitou a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra quatro homens acusados de operar um garimpo ilegal de cassiterita dentro do Parque Nacional Mapinguari, em Lábrea. O grupo responderá por crimes de usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais e danos severos a uma unidade de conservação de proteção integral.
Estrutura montada para o crime
O esquema foi desarticulado em julho de 2023, durante a “Operação Oportunidade V”, realizada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). No local, as autoridades encontraram um acampamento estruturado com motores-bomba, dutos de sucção e equipamentos para desmonte hidráulico, utilizados na extração do minério — essencial para a fabricação de estanho, componentes automotivos e telas de celulares.
De acordo com as investigações, a atividade ocorria há anos sem qualquer autorização da Agência Nacional de Mineração (ANM) ou licença ambiental do Ibama.
Devastação ambiental calculada em milhões
A perícia da Polícia Federal e os autos do ICMBio revelaram um cenário de devastação. O garimpo destruiu 39 hectares de vegetação nativa e comprometeu quase 5 quilômetros de cursos d’água em áreas de preservação permanente. O impacto incluiu o aterramento de nascentes, desvio de drenagem natural e contaminação de solo e água.
O prejuízo ambiental é imenso: o ICMBio aplicou multas que somam R$ 450 mil, enquanto a Polícia Federal estima que serão necessários mais de R$ 2,1 milhões apenas para recuperar a área degradada.
Identificação e punição
O MPF detalhou o papel de cada um dos réus. O líder do grupo, que financiava a operação, conseguiu fugir para a mata durante a fiscalização, mas foi identificado após esquecer uma mochila com seus documentos pessoais no acampamento. Outros dois homens foram presos em flagrante operando as máquinas, enquanto o quarto foi capturado no acampamento de apoio, admitindo sua participação no crime.
O Ministério Público Federal exige, além da condenação criminal, que os envolvidos arquem com o custo total da recuperação ambiental, paguem R$ 10 mil por danos morais coletivos ao Fundo de Defesa dos Direitos Difusos e façam a entrega de todo o minério apreendido às autoridades competentes.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

