Saúde chega às aldeias Sateré-Mawé
A organização voluntária Expedicionários da Saúde (EDS) prepara sua 58ª missão no coração da floresta amazônica. A partir do dia 24 de julho, o grupo levará uma força-tarefa de médicos, dentistas e especialistas para atender o povo Sateré-Mawé, na Terra Indígena Andirá Marau, situada na divisa entre o Amazonas e o Pará.
O foco principal do mutirão será a região da Ilha Michiles, área historicamente reconhecida pela força cultural do povo Sateré-Mawé, famosos pelo ritual da tucandeira e por serem os guardiões do guaraná. A ação visa romper as barreiras geográficas que dificultam o acesso desses indígenas a procedimentos de média e baixa complexidade.
Atendimentos especializados na floresta
Durante uma semana, adultos e crianças da região contarão com uma estrutura completa de saúde. O cronograma inclui cirurgias oftalmológicas — com destaque para o tratamento de catarata e pterígio —, exames de ultrassonografia e laboratoriais, consultas ginecológicas e um reforço na odontologia, que contará com um centro cirúrgico móvel para atendimentos especializados e a pacientes com necessidades especiais (PNE).
Para o médico Ricardo Affonso Ferreira, fundador da EDS, a iniciativa é vital. “Estas ações são fundamentais se considerarmos a dificuldade de acesso que as populações indígenas enfrentam para chegar a atendimentos especializados e, principalmente, à rede hospitalar para cirurgias”, pontua.
Logística de guerra e legado local
A logística para viabilizar a expedição impressiona: serão 20 toneladas de equipamentos deslocadas para o interior da floresta. O retorno à TI Andirá Marau acontece após dez anos; a última passagem do grupo pelo território foi em 2016, quando a estrutura montada na Escola Indígena São Pedro realizou 1.800 atendimentos e quase 5 mil exames.
“Após tanto tempo, as demandas se renovam, especialmente em cirurgias de catarata, que surgem com o avançar da idade”, explica Genário Kanashiro, diretor de operações da EDS. A estrutura montada em parceria com a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e o Dsei Parintins não servirá apenas para o mutirão; melhorias estruturais feitas na comunidade permanecerão como um legado definitivo para os moradores da Ilha Michiles.
Com mais de duas décadas de trajetória, a ONG Expedicionários da Saúde já acumula um histórico expressivo na Amazônia: mais de 10 mil cirurgias, 70 mil atendimentos e 126 mil exames realizados em 57 expedições anteriores.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

