O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) ultrapassou, na manhã deste sábado (18), a marca de 60 horas de operação ininterrupta para resfriar os tanques da fábrica Innova, localizada no Distrito Industrial, em Manaus. A mobilização começou na tarde da última quarta-feira (15), após um vazamento de monômero de estireno, substância química tóxica e altamente inflamável.
Melhora na contenção, mas alerta mantido
Embora os trabalhos tenham apresentado evolução e a fumaça visível que saía do reservatório tenha diminuído drasticamente, o perigo ainda não foi totalmente descartado. O forte odor do produto químico permanece perceptível nos arredores da fábrica, mantendo as equipes em prontidão máxima. O perímetro de isolamento de 300 metros continua rigorosamente preservado, e bombeiros utilizam sensores a laser para monitorar a temperatura interna do tanque em tempo real, evitando o risco de explosões.
Impacto na saúde da população
O vazamento gerou uma corrida às unidades de saúde. Até o final da tarde de sexta-feira (17), o balanço oficial apontava 211 atendimentos na rede pública estadual, 147 em hospitais privados e 57 em unidades municipais. Os pacientes apresentaram, majoritariamente, sintomas como irritação nos olhos, dores de cabeça e dificuldades respiratórias. Um homem de 67 anos faleceu após buscar atendimento, porém, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que o paciente possuía doença respiratória crônica e não há confirmação de relação direta entre o óbito e o vazamento.
Rachaduras e interdição da fábrica
Durante as vistorias técnicas, especialistas identificaram fissuras na estrutura externa do tanque, causadas pelo superaquecimento extremo do produto químico. Devido ao risco contínuo, órgãos de fiscalização decretaram a interdição parcial das instalações. A retomada das atividades da Innova depende agora de laudos técnicos que atestem a estabilidade total da área e a eliminação de qualquer risco de novas reações químicas.
Multas pesadas e investigação
A Prefeitura de Manaus aplicou duas multas severas à empresa, totalizando quase R$ 10 milhões. A primeira autuação, na quinta-feira, foi de R$ 4,5 milhões por poluição do ar. A segunda, na sexta-feira, somou R$ 5,3 milhões devido à poluição do solo e de recursos hídricos. Enquanto a empresa alega em nota que a situação foi controlada sob os protocolos de emergência, a Polícia Civil e a Polícia Técnico-Científica aguardam a liberação da área para realizar a perícia e apurar as causas exatas do incidente, que os bombeiros tratam, inicialmente, como uma reação química espontânea dentro do reservatório.
Orientações à população
A Defesa Civil reforça que, caso sintam qualquer mal-estar como tontura, náusea ou confusão mental, os moradores da região devem procurar imediatamente uma unidade de saúde ou ligar para o Samu (192). A recomendação oficial é manter ambientes ventilados, com portas e janelas abertas, e desligar aparelhos de ar-condicionado ou sistemas de ventilação que captem ar externo.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

