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Voto feminino no Brasil: a luta que venceu mais de um século de misoginia

Brasil e Mundo

Uma batalha que atravessa gerações

Há 135 anos, figuras públicas brasileiras diziam abertamente que as mulheres não deveriam votar para preservar a ‘santidade’ do lar. Hoje, discursos semelhantes tentam retornar ao debate público. No entanto, estudiosas apontam que, longe de ser algo novo, o machismo estrutural sempre tentou minar a autonomia feminina cada vez que um direito era conquistado.

Luta constante e inconstitucional

Especialistas em direito e história alertam: questionar o sufrágio feminino no Brasil atual não é apenas um retrocesso cultural, é um ataque direto à Constituição Federal de 1988, que garante o voto universal. Professora da UERN, Fernanda Abreu reforça que direitos não se sustentam sozinhos e que o país vive um momento onde a vigilância sobre essas conquistas precisa ser permanente.

O peso das sufragistas

O direito ao voto não foi uma concessão graciosa do Estado, mas o resultado de décadas de organização, protestos e inteligência estratégica. Nomes como Almeráveis como Bertha Lutz e a pioneira Almerinda Gama enfrentaram ridicularização e perseguição política. Elas fundaram partidos, organizaram marchas e desafiaram a imprensa conservadora para provar que a mulher era, sim, um agente político capaz.

Um cenário de resistência

Atualmente, as mulheres compõem a maioria do eleitorado brasileiro, somando mais de 83 milhões de cidadãs aptas a votar. Mesmo sendo maioria, a representatividade e a manutenção desses direitos enfrentam constantes tentativas de intimidação. Pesquisadoras alertam que o chamado ‘backlash’ — a retaliação contra avanços sociais — segue vivo e demanda que a sociedade brasileira valorize sua história, evitando que o retrocesso se torne o novo padrão de comportamento político.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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