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Reciprocidade não é retaliação nem “olho por olho”, diz Alckmin

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Alckmin descarta retaliação e defende correção de injustiças

O vice-presidente Geraldo Alckmin esclareceu que a aplicação da Lei da Reciprocidade não deve ser lida como um movimento de retaliação contra os Estados Unidos. Segundo ele, o objetivo do governo brasileiro é estritamente institucional e corretivo. “A ideia não é o ‘olho por olho’, que pode deixar ambos cegos. A reciprocidade é uma ferramenta para corrigir o que consideramos uma situação injusta”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin destacou que a legislação foi aprovada por unanimidade no Congresso e garante ao Brasil instrumentos legais para uma resposta técnica e equilibrada, respeitando todos os trâmites, como consultas e audiências públicas.

Plano de socorro aos exportadores

Diante da taxação imposta pelo governo de Donald Trump — que prevê uma alíquota inicial de 25% com possibilidade de acréscimo de 12,5%, impactando cerca de 18% das exportações brasileiras para o país — o governo federal desenhou um plano de apoio em três frentes: suporte financeiro, abertura de novos mercados e diálogo constante com o setor produtivo.

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, reforçou o compromisso com os empresários: “O governo deve olhar para seus setores e tomar medidas capazes de, no mínimo, amenizar o dano e o custo gerados por essa medida indevida”.

Crédito e flexibilização tributária

Para mitigar o impacto financeiro, o governo estuda oferecer linhas de crédito via programa Brasil Soberano, visando capital de giro e novos investimentos. Além disso, a equipe econômica avalia flexibilizar o regime de drawback, permitindo que exportadores que perderam espaço no mercado americano ganhem mais prazo para cumprir metas de exportação sem serem penalizados tributariamente. Ajustes nas exigências de manutenção de empregos também estão na mesa de negociações.

Busca por novos mercados

A estratégia de longo prazo passa pela diversificação das exportações para reduzir a dependência do mercado dos EUA. A ApexBrasil intensificará ações voltadas para destinos como Índia, México, Singapura, Japão e o Sudeste Asiático. Paralelamente, o governo busca acelerar acordos comerciais do Mercosul com a União Europeia e a EFTA.

Setores mais atingidos

Os setores industriais de maior valor agregado são os mais vulneráveis à nova política tarifária americana, com destaque para:

• Eletroeletrônicos (principal destino de exportação do setor);
• Máquinas e equipamentos (que dependem dos EUA para um quarto de suas vendas externas);
• Autopeças;
• Calçados;
• Produtos de borracha e plásticos.

Cronograma de tensões

O governo brasileiro mantém atenção total ao calendário imposto pelos Estados Unidos. No dia 29 de julho, entra em vigor a sobretaxa de 25% para mercadorias já em trânsito. Antes disso, na próxima sexta-feira, espera-se uma definição sobre a taxação adicional de 12,5% sob alegações relacionadas a práticas trabalhistas. Enquanto o prazo corre, o governo segue em rodadas de diagnóstico com os setores produtivos e prepara uma missão oficial à Índia para viabilizar novas oportunidades de negócio.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

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