Crise social atinge quase metade da juventude argentina
Um novo levantamento da Universidade de Buenos Aires (UBA) revelou um cenário alarmante para o futuro da Argentina: 48,9% dos jovens entre 18 e 29 anos vivem em situação de vulnerabilidade social. O número, que equivale a cerca de 4,1 milhões de pessoas, considera como vulneráveis aqueles que enfrentam pobreza econômica ou que não concluíram o ensino básico.
O estudo, intitulado “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”, foi realizado entre o final de 2025 e o início de 2026. Os dados mostram que a precariedade não é apenas financeira, mas multidimensional, englobando falta de moradia adequada, interrupção dos estudos e instabilidade no trabalho.
Trabalho informal e falta de oportunidades
O mercado de trabalho para essa parcela da população é marcado pela informalidade e pela baixa qualificação. Apenas 15% dos jovens entrevistados possuem emprego registrado, enquanto 76% sobrevivem através de atividades autônomas, comércio informal, construção civil ou serviços domésticos. A situação é agravada pelo fato de que 57% dos que trabalham relatam que a renda mensal é insuficiente para cobrir as necessidades básicas.
A exclusão produtiva também é preocupante: 32% dos jovens argentinos não estudam, não trabalham e nem buscam uma oportunidade no mercado. Além disso, a desigualdade de gênero e geográfica se faz presente, com taxas de emprego superiores entre homens e na região metropolitana de Buenos Aires em comparação ao restante do país.
Saúde mental e desafios cotidianos
A pesquisa detalha um profundo desgaste na saúde mental dessa geração. Mais de 70% dos entrevistados relatam sofrer com ansiedade frequente, enquanto mais de 50% afirmam enfrentar quadros de depressão ou apatia. O documento destaca que o sofrimento psicológico tornou-se um traço cotidiano diante da instabilidade socioeconômica.
O consumo problemático de substâncias — incluindo álcool e cigarro — também aparece como um desafio crítico, com cerca de 30% dos jovens admitindo falta de controle sobre o consumo. Somado a isso, 78% dos entrevistados não possuem plano de saúde, dependendo exclusivamente da rede pública, e 40% relatam residir em áreas consideradas inseguras.
O papel das redes sociais na informação
O estudo identificou que a principal fonte de notícias desse grupo são as redes sociais, com o Instagram liderando a preferência (36%), seguido pelo Facebook (22%). Os meios tradicionais, como a televisão, ocupam apenas a terceira posição, com 18% da preferência.
Os pesquisadores observaram que o nível de escolaridade influencia o comportamento digital: jovens com maior grau de instrução tendem a utilizar plataformas como o Instagram e diversificar suas fontes, enquanto os menos escolarizados ainda dependem majoritariamente do Facebook e da TV para se informarem.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

