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Pressão popular e memória histórica forçam Javier Milei a recuar sobre venda de terras na Argentina

Brasil e Mundo

O peso da soberania nas decisões de Milei

A lembrança histórica da Guerra das Malvinas tornou-se um obstáculo inesperado para os planos do governo de Javier Milei. O projeto que visava ampliar a venda de terras argentinas para investidores estrangeiros, apelidado de ‘estrangeirização do solo’, enfrentou forte resistência popular e política, culminando na retirada da proposta da pauta do Senado argentino.

Mobilização nacional e influência cultural

O movimento contra a medida ganhou força com uma coalizão inesperada que uniu desde governadores de diferentes vertentes políticas até grandes estrelas da música e do esporte. A manifestação pública de jogadores da seleção argentina, incluindo o zagueiro Lisandro Martinez, ao erguerem a bandeira ‘As Malvinas são argentinas’ durante a Copa do Mundo, atuou como um gatilho emocional que revitalizou o debate sobre soberania nacional.

Pressão dos governadores e o futuro da proposta

A resistência à medida não ficou restrita apenas às ruas. Cientistas políticos apontam que a pressão de governadores provinciais — que temiam perder o controle sobre seus territórios — foi determinante para que senadores abandonassem o apoio à pauta do governo. O recuo é visto como uma derrota estratégica para Milei, que pretendia aumentar de 15% para 25% o limite de terras em mãos estrangeiras.

Preocupação com áreas protegidas

Embora a venda de terras tenha sido contida, o governo mantém em votação um projeto polêmico que altera as regras de proteção ambiental em áreas atingidas por incêndios florestais. Ambientalistas alertam que a medida facilitaria a especulação imobiliária em zonas de preservação, permitindo que grandes proprietários explorem comercialmente áreas que deveriam ser protegidas por lei por pelo menos 30 anos após desastres naturais.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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