PARINTINS — A morte de Rodrigo Batalha, de 29 anos, ocorrida na noite desta quarta-feira (6) no Hospital 28 de Agosto, em Manaus, é alvo de uma investigação rigorosa pelas autoridades de saúde do Amazonas. A suspeita inicial apontada pela equipe médica é de intoxicação por metanol, uma substância de uso industrial altamente tóxica para o corpo humano.
O caso
Rodrigo, natural de Parintins, começou a apresentar sintomas graves no último fim de semana, logo após o consumo de bebida alcoólica. O quadro clínico evoluiu rapidamente, forçando seu encaminhamento inicial ao Hospital Jofre Cohen, em Parintins. Devido à gravidade e à necessidade de suporte intensivo, o jovem foi transferido para Manaus no início da semana.
A Secretaria Municipal de Saúde de Parintins confirmou que o caso está sendo analisado pelo departamento estadual de vigilância em saúde. Amostras biológicas foram coletadas para exames laboratoriais complementares, que serão cruciais para confirmar se a causa da morte está de fato ligada à ingestão de metanol. O corpo da vítima foi liberado e seguirá para Parintins para os atos fúnebres.
O perigo do metanol
O metanol é um álcool industrial utilizado principalmente como solvente e combustível, sendo estritamente proibido para o consumo humano devido à sua alta toxicidade. Ao ser ingerido, o organismo o converte em substâncias ainda mais deletérias, como o ácido fórmico e o formaldeído, que causam danos multissistêmicos.
De acordo com especialistas, a intoxicação por metanol é devastadora:
- Danos ao Sistema Nervoso: Pode levar a convulsões, coma e danos cerebrais permanentes.
- Comprometimento Visual: É uma causa frequente de cegueira irreversível por atrofia do nervo óptico.
- Falência de Órgãos: Ataca severamente o fígado e a função pulmonar, levando à acidose metabólica grave, que frequentemente culmina em óbito.
Cenário Nacional
Embora este seja um caso isolado sob investigação no Amazonas, o alerta é nacional. Segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan), o ano de 2026 já contabiliza 13 casos confirmados de intoxicação por metanol no Brasil, com outros 22 ainda sob apuração — a maioria concentrada no estado de São Paulo.
O histórico recente acende um sinal vermelho para a vigilância sanitária: em 2025, o país enfrentou um surto crítico de intoxicação, registrando 76 casos confirmados e 25 mortes. As investigações daquele período revelaram uma rede de comercialização de bebidas adulteradas, onde o metanol foi inserido ilegalmente por falsificadores para baratear o custo de produção de bebidas alcoólicas.
As autoridades de saúde reforçam a necessidade de cautela no consumo de bebidas de origem desconhecida ou comercializadas fora dos canais oficiais, orientando que qualquer sintoma agudo após a ingestão de álcool — como fortes dores abdominais, vômitos, turvação visual ou desmaios — deve ser atendido imediatamente em uma unidade de emergência.
A Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM) ainda não emitiu um posicionamento oficial detalhado sobre o caso de Rodrigo Batalha.

