O preço do barril de petróleo tipo Brent disparou 6% nesta quinta-feira (23), atingindo a marca de US$ 101. A alta foi impulsionada por novos ataques dos houthis, do Iêmen, contra navios da Arábia Saudita no Mar Vermelho, elevando a tensão geopolítica global e reacendendo temores sobre a inflação mundial.
Bloqueio estratégico agrava crise
A situação é crítica devido ao fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb pelos houthis, uma rota vital para o escoamento de combustíveis. Com o bloqueio, a Arábia Saudita — um dos maiores produtores mundiais — perde uma das suas principais vias de exportação, já que o Estreito de Ormuz também enfrenta restrições operacionais desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, em fevereiro deste ano.
Especialistas do Instituto de Estudos Estratégicos em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep) alertam que a interrupção no Mar Vermelho impacta diretamente a Europa e os Estados Unidos. “A alternativa saudita, que era o escoamento via oleoduto pelo Mar Vermelho, não é mais possível. Isso afetará o custo do frete e a oferta de gasolina e diesel em diversos mercados”, explica a diretora técnica do instituto, Ticiana Álvares.
Nova fase do conflito
Analistas de geopolítica apontam que as ações dos houthis marcam uma nova e perigosa etapa na guerra entre o Irã e os Estados Unidos. Como os houthis mantêm uma aliança estratégica com o governo iraniano, o fechamento do estreito funciona como uma retaliação direta à pressão exercida por Washington sobre Teerã.
Danny Zahreddine, professor de relações internacionais da PUC Minas, avalia que o impasse gera um choque imediato na distribuição global. “Quando os americanos pressionam o Irã, eles respondem apertando o cerco contra os aliados dos EUA. O impacto é inevitável para qualquer transporte que dependa da rota do Canal de Suez, encurtando caminhos entre a Ásia e o Ocidente”, afirma.
Instabilidade logística e econômica
O Estreito de Bab el-Mandeb é responsável por cerca de 10% de todo o comércio marítimo de petróleo no mundo. Segundo Rodolfo Queiroz Laterza, diretor do Instituto de Altos Estudos de Geopolítica, Segurança e Conflitos (GSEC), o cenário é de perdas econômicas substanciais para as nações importadoras.
Para o historiador, o conflito no Iêmen, que parecia sob controle após acordos diplomáticos em 2022, voltou a ser uma peça-chave na instabilidade global. “Os houthis demonstraram capacidade militar avançada com o uso de mísseis antinavio e drones. A realidade atual é extremamente desfavorável para a estabilidade dos preços mundiais dos hidrocarbonetos, e a tendência é que os desafios estratégicos para os EUA se agravem nos próximos meses”, conclui Laterza.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

