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Corte na Selic para 14% ainda é insuficiente para destravar a indústria, alertam entidades

Brasil e Mundo Economia

Juros altos travam o setor produtivo

Embora o Banco Central tenha confirmado o quarto corte consecutivo na taxa Selic, fixando-a em 14% ao ano, o alívio não foi suficiente para satisfazer as expectativas do mercado e da indústria. Representantes do setor produtivo alertam que, apesar do sinal positivo, o custo do dinheiro ainda permanece em níveis proibitivos para novos investimentos.

O peso do custo do capital

Para a Firjan, a manutenção de juros elevados encarece o crédito e freia a modernização das fábricas brasileiras. Os números refletem o desânimo do setor: a indústria de transformação avançou apenas 0,4% no primeiro semestre, um resultado que especialistas atribuem diretamente à dificuldade de financiamento.

Discrepância nos cálculos

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) foi enfática ao apontar que o Brasil mantém uma taxa de juros restritiva há 55 meses. Segundo cálculos baseados na Regra de Taylor, a taxa ideal para equilibrar o controle inflacionário e o crescimento econômico deveria estar na casa dos 10,4%. Com os juros reais próximos a 10%, a CNI defende que há margem para reduções mais agressivas sem comprometer o combate à inflação.

Trabalhadores cobram mais agilidade

A insatisfação também chegou às centrais sindicais. A Força Sindical classificou o ajuste de 0,25 ponto percentual como tímido, argumentando que a economia nacional perdeu uma oportunidade valiosa de ganhar fôlego. Para o setor, o cenário atual compromete diretamente a geração de novos postos de trabalho e o poder de consumo das famílias.

Cautela e incertezas externas

Do outro lado, analistas do mercado financeiro observam que o Banco Central mantém uma postura de extrema prudência. Fatores como a desancoragem das expectativas inflacionárias e a instabilidade geopolítica no Oriente Médio obrigam a autoridade monetária a manter um tom cauteloso, deixando em aberto a possibilidade de pausas nos próximos cortes caso os riscos aumentem.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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