O Poder da Classe C nas Urnas
Representando 53% da população brasileira, a classe C consolidou-se como a força motriz das decisões políticas e econômicas do país. Segundo o pesquisador Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, essa fatia da sociedade, composta por trabalhadores urbanos e pequenos empreendedores, deixou de lado o debate ideológico sobre o tamanho do Estado para focar em uma demanda pragmática: um governo que funcione.
Eficiência acima da burocracia
O desejo central deste grupo é por serviços públicos de qualidade e desburocratizados. Acostumados com a agilidade do setor privado — como avaliar serviços de aplicativos e compras online —, os eleitores da classe C buscam governantes que tragam essa mesma eficiência para a gestão pública. Para o pesquisador, o eleitorado está exausto da política tradicional e exige uma conexão real entre quem governa e quem é governado.
Mudança de paradigmas no trabalho
O perfil dessa classe também passou por transformações significativas. O antigo sonho do consumo imediato, como o carro zero, cedeu lugar ao desejo de empreender e, principalmente, de ser dono do próprio tempo. A pandemia acelerou a busca por autonomia, fazendo com que muitos brasileiros priorizem a flexibilidade e a independência profissional, o que impacta diretamente a visão que possuem sobre a CLT e os direitos trabalhistas tradicionais.
Expectativas para o futuro
Após anos de desaceleração econômica, a classe C sente que a velocidade das conquistas diminuiu. Se antes o horizonte era marcado pelo acesso ao primeiro curso universitário da família ou pela primeira viagem de avião, hoje a prioridade é a estabilidade dos pequenos negócios e o acesso a um Estado que entregue resultados práticos na saúde, educação e segurança, sem a lentidão que historicamente frustra a população.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

