O Amazonas entra em alerta máximo para o período entre agosto e outubro de 2026. A previsão indica um cenário preocupante de calor extremo, chuvas abaixo da média histórica e uma aceleração na vazante dos rios. O agravante para a região é a combinação entre o “verão amazônico” e a influência de dois fatores climáticos globais: o fortalecimento do fenômeno El Niño e o aquecimento anômalo das águas do Oceano Atlântico.
El Niño: risco de um dos eventos mais intensos da história
A meteorologista Andrea Ramos, responsável pelas projeções climáticas, alerta que há 81% de probabilidade de o El Niño atingir a categoria “muito forte” até o final do ano. Dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), dos Estados Unidos, reforçam que este episódio pode ser um dos mais intensos da série histórica, possivelmente superando os impactos registrados no período de 2023-2024. Enquanto o fenômeno tende a trazer mais chuvas para o Sul do país, no Norte e Nordeste, ele atua como um potente catalisador para a seca e o aumento das temperaturas.
Por que o calor está tão intenso?
Embora o “verão amazônico” — período natural de estiagem e menor cobertura de nuvens — já explique o aumento das temperaturas, o El Niño atua como um multiplicador desse efeito. Sem as chuvas frequentes para resfriar a superfície e com a baixa umidade do solo, a radiação solar incide com força total sobre o estado. A previsão indica que as temperaturas devem se manter constantemente acima da média. Embora marcas de 35°C sejam esperadas, a meteorologista não descarta episódios excepcionais que podem elevar os termômetros a níveis próximos ou até superiores a 40°C.
Rios sob monitoramento rigoroso
A escassez de chuvas combinada ao calor acelera a evapotranspiração e reduz a recarga das bacias hidrográficas. O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já monitora o início da descida das águas nos rios Solimões e Negro. A preocupação central é que a vazante, que costuma ter seu pico entre setembro e novembro, prejudique o abastecimento de comunidades ribeirinhas e restrinja a navegação em pontos críticos dos rios Madeira, Purus e Juruá, dificultando o escoamento de insumos e a mobilidade no interior.
Saúde e qualidade do ar
A rotina dos amazonenses deve enfrentar desafios extras com o clima seco. Em Manaus, a sensação de abafamento será constante, inclusive durante as noites. No interior, o risco é potencializado pela fumaça de possíveis queimadas florestais, que, aliada ao ar seco, pode elevar os casos de desidratação e problemas respiratórios. A recomendação dos especialistas é redobrar os cuidados com a hidratação e ficar atento à qualidade do ar durante as tardes, quando a umidade relativa tende a atingir seus níveis mais baixos.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

