O vazamento de monômero de estireno na Unidade 4 da fábrica Innova, situada no Distrito Industrial de Manaus, expôs uma falha grave na comunicação preventiva com a comunidade. Moradores que vivem no entorno da indústria relatam que nunca receberam qualquer tipo de instrução sobre como proceder em casos de acidentes químicos, transformando o pânico em incerteza após o incidente registrado na última quarta-feira (15).
“Eu nem sabia que isso podia acontecer”
A doméstica Rosivete Ferreira, de 63 anos, moradora de uma área a cerca de um quilômetro da fábrica, foi uma das vítimas da exposição ao gás. Ela relata que só tomou conhecimento dos riscos após começar a sentir os efeitos físicos da substância. “Eu senti náuseas, muito enjoo, um aperto na garganta e dor de cabeça. Meu olho ficou ardendo, parecia que estava cheio de pimenta”, conta.
Sem orientações das autoridades ou da empresa, a moradora recorreu a medidas improvisadas, como manter a casa hermeticamente fechada por quase todo o dia. O caso de Rosivete reflete o sentimento de abandono de centenas de famílias que vivem nas redondezas do Polo Industrial e não possuem um plano de contingência caso novos vazamentos ocorram.
O silêncio das autoridades e da empresa
O portal AM Direto questionou a Innova sobre a existência de um Plano de Atendimento a Emergências (PAE) que inclua a orientação dos moradores, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Da mesma forma, órgãos como o Governo do Amazonas e a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) não se manifestaram sobre a fiscalização de protocolos de segurança e comunicação com as comunidades vizinhas às fábricas de produtos químicos perigosos.
Sintomas e riscos à saúde
O relato de Rosivete é compartilhado por diversos trabalhadores e moradores da região. Luiz Ferreira, ajudante de caminhão em uma empresa vizinha à fábrica, conta que seus colegas de trabalho também adoeceram durante o expediente. “O pessoal começou a correr para o banheiro. Quando cheguei em casa, também passei mal com dor de cabeça e diarreia”, afirmou.
Segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, os sintomas são compatíveis com a inalação de estireno. A especialista alerta que a substância, que evapora rapidamente, pode se espalhar por longas distâncias. Ela ainda faz um alerta preocupante: a chuva pode reagir com o gás na atmosfera, gerando compostos nocivos e aumentando o risco de contaminação ambiental.
O controle da situação
O vazamento, iniciado por uma reação química dentro de um tanque de armazenamento, forçou a evacuação de estabelecimentos comerciais, incluindo um shopping próximo. Até este domingo (19), quatro dias após o início da crise, equipes do Corpo de Bombeiros do Amazonas permanecem no local realizando o resfriamento constante do tanque para evitar que a temperatura da substância volte a subir e gere novos riscos à população manauara.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

