Poluição sonora ameaça a vida marinha
O som constante de motores de lanchas, motos aquáticas e a movimentação intensa de turistas estão prejudicando a comunicação entre peixes em áreas de recifes de corais. Um estudo publicado na revista científica Neotropical Ichthyology, realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), revela que o ruído gerado por atividades humanas encobre os sinais sonoros emitidos pelos animais, comprometendo funções vitais como reprodução, defesa de território e alimentação.
Impacto direto no comportamento
Segundo Túlio Freire Xavier, coautor da pesquisa, a análise comprovou uma queda significativa na emissão de sons pelos peixes em locais com maior presença de ruído humano. O fenômeno, conhecido como “mascaramento acústico”, ocorre quando o barulho das embarcações torna os sinais biológicos imperceptíveis. Além disso, há casos em que os peixes simplesmente cessam suas vocalizações como resposta ao estresse causado pelo ambiente barulhento.
O cenário do estudo
A investigação foi conduzida nas praias de Carneiros e Tamandaré, no litoral de Pernambuco — regiões escolhidas por sua alta relevância turística e presença de ecossistemas recifais. Durante as etapas de campo, os cientistas utilizaram sistemas de gravação subaquática para capturar 80 horas de áudio e realizaram censos visuais para identificar as espécies da região. A pesquisa constatou que, em locais expostos ao tráfego intenso, pelo menos três tipos de sons emitidos naturalmente por peixes desapareceram.
Equilíbrio dos recifes em xeque
A preservação da “paisagem sonora” marinha é essencial para a saúde dos corais. Os peixes desempenham papéis ecológicos cruciais, como o controle de algas e a manutenção da produtividade do ecossistema. Ao interferir na comunicação dessas espécies, a poluição sonora humana coloca em risco indireto não apenas a biodiversidade, mas também serviços ecossistêmicos fundamentais para a economia local, como a pesca artesanal e o próprio turismo.
Caminhos para a sustentabilidade
O estudo destaca que o problema não é exclusivo do litoral pernambucano e pode afetar outras áreas sensíveis do Brasil, como Abrolhos e Fernando de Noronha. Embora ainda não existam limites mundiais definidos para o ruído subaquático, os pesquisadores defendem a implementação de medidas preventivas. Estratégias como a organização de rotas de navegação, a redução da velocidade das embarcações em áreas protegidas e a limitação do fluxo de barcos sobre recifes são apontadas como soluções simples e eficazes para proteger o equilíbrio acústico dos oceanos.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

