O movimento cristão “Legendários” se manifestou nesta quarta-feira (29) sobre a recente decisão da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB). Em nota, o grupo afirmou receber com “serenidade e respeito” a recomendação da denominação, que orientou seus fiéis — incluindo pastores e presbíteros — a não participarem ou apoiarem as atividades da organização.
O alcance da decisão
A medida foi aprovada durante o 41º Supremo Concílio da IPB, realizado em Manaus. Segundo o movimento, o texto não estabelece uma proibição absoluta, mas funciona como uma orientação para que cada igreja local avalie, de forma autônoma, a participação de seus membros nas dinâmicas promovidas pelo grupo. Criado na Guatemala em 2015 e presente no Brasil desde 2017, o Legendários foca no público masculino e atrai figuras de destaque, como políticos e empresários, prometendo “restaurar o potencial” do homem por meio de retiros de imersão.
Críticas doutrinárias e metodológicas
A recomendação da IPB não foi casual. Ela surgiu após uma consulta vinda do Tocantins, motivada por debates internos sobre a expansão do grupo em comunidades presbiterianas. A cúpula da igreja considerou as práticas dos Legendários incompatíveis com a teologia reformada.
O parecer da comissão teológica da IPB foi contundente ao criticar o uso de isolamento em áreas remotas, testes de resistência física extrema e dinâmicas de impacto emocional. Para a denominação, tais métodos reduzem a importância da Bíblia e da vida comunitária regular. Além disso, a igreja apontou preocupações com a “mercantilização da fé” e o sigilo em torno das atividades, alegando que o uso de uniformes e técnicas de marketing transforma a experiência espiritual em um produto, o que poderia gerar divisões dentro das congregações.
Posicionamento do grupo
Em sua defesa, o movimento destacou que a deliberação dos presbiterianos serve como uma oportunidade para esclarecer o papel da organização. O Legendários reforçou que mantém o compromisso de fortalecer famílias e desenvolver lideranças, e ressaltou que segue operando em 24 países, reunindo um contingente de mais de 220 mil participantes.
A decisão da IPB em Manaus também marcou uma mudança na liderança nacional da igreja, com a eleição do reverendo Juarez Marcondes Filho como presidente para o próximo quadriênio. O evento reforçou o momento de reflexão da denominação sobre temas contemporâneos, incluindo o papel da fé na política e a relação da igreja com movimentos externos.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.
Foto da capa: Reprodução / G1 Amazonas

