alunos aprendem sobre cultura e ancestralidade no plantio do baoba

A Cor do Meio: Documentário investiga a construção da identidade parda no Brasil

Brasil e Mundo

Uma identidade em debate

O programa Caminhos da Reportagem desta segunda-feira (31) mergulha em um dos temas mais complexos da nossa formação social: a construção da identidade parda. Sob o título ‘A Cor do Meio’, a investigação busca entender como essa categoria — que abrange uma imensa diversidade de tons, origens e culturas — ocupa os espaços na sociedade contemporânea brasileira.

O peso dos números na Região Norte

O Censo de 2022 revelou que mais de 90 milhões de brasileiros se autodeclaram pardos. A Região Norte do país se destaca nesse cenário, concentrando 67,2% dessa população. Para o professor Gersem Baniwa, da Universidade de Brasília, essa alta representatividade na Amazônia reflete uma estratégia histórica de sobrevivência de grupos indígenas que, frente a opressões e massacres, foram forçados a adotar a identidade parda como forma de proteção.

O ‘truque’ colonial

Líderes e pensadores, como Ailton Krenak, definem a criação da categoria ‘pardo’ como uma manobra política colonial. Segundo Krenak, o termo serviu para deslegitimar reivindicações territoriais e apagar as raízes indígenas e africanas, criando uma barreira na luta por direitos identitários básicos. A historiadora Ana Flávia Magalhães reforça que o termo ainda hoje funciona como parte de um ‘pacto de silêncio’ que tenta mascarar o racismo estrutural existente no Brasil.

Desafios e conquistas

A reportagem também traz relatos emocionantes de luta contra o preconceito. A assistente social Luiza Carvalho, doutora e mulher parda, relata a exaustão de enfrentar barreiras acadêmicas e o racismo diário. Além disso, o programa aborda a polêmica das bancas de heteroidentificação em concursos públicos, mostrando como a organização coletiva tem buscado garantir que o direito às cotas seja respeitado na prática.

Educação como caminho

Para além das leis, a solução passa pela mudança na base: a educação. O programa destaca escolas que já aplicam projetos antirracistas, ensinando desde cedo a valorização das diversas cores de pele. O resultado? Crianças que crescem com autoestima e respeito à diversidade, provando que a mudança social começa dentro da sala de aula.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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