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Brasil sob pressão: especialistas cobram ações práticas após metas ambiciosas na COP17

Brasil e Mundo

Após o anúncio de metas ambiciosas para a restauração de 163 mil quilômetros quadrados de terras degradadas até 2030, durante a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), o Brasil agora enfrenta o desafio da execução. Embora o compromisso tenha recebido elogios internacionais, especialistas e organizações da sociedade civil alertam que o sucesso da iniciativa depende da transição urgente do discurso para resultados concretos.

Integração e participação social

Para Luiza Soares, especialista da WWF Global, o cumprimento dessas metas exige uma visão sistêmica. Segundo ela, é fundamental alinhar conservação e restauração com a produtividade agrícola e a segurança alimentar. “Pessoas que dependem dessas terras precisam estar no centro do processo, especialmente em áreas onde a degradação ameaça a subsistência e a segurança hídrica”, destaca.

Cobrança por fiscalização

A sociedade civil promete monitorar de perto cada passo dado pelo governo brasileiro. Pedro Sena, da Rede para Restauração da Caatinga (ReCaa), ressalta que o acompanhamento anual será crucial para avaliar a eficácia das políticas adotadas. O tom de urgência é reforçado pelo Instituto Escolhas, que lembra que a meta foi apresentada com 11 anos de atraso. A proposta da entidade é clara: fortalecer a estrutura administrativa, regulamentar leis de recuperação da vegetação e criar uma secretaria dedicada ao combate à desertificação com status de ministério.

Foco na resiliência do solo

O compromisso brasileiro está atrelado às metas de Neutralidade da Degradação da Terra (LDN). O plano prevê uma combinação de recuperação de vegetação nativa, sistemas agroflorestais e ações em bacias hidrográficas. O desafio é manter o equilíbrio em um cenário onde, em 2020, o país registrou mais de 55 milhões de hectares com tendência à degradação.

Protagonismo no semiárido

O Nordeste brasileiro ganhou destaque na COP17 por meio do Consórcio Nordeste, que busca ampliar investimentos para a Caatinga. Um memorando de entendimento com a UNCCD foi assinado, sinalizando um novo capítulo na cooperação técnica internacional para o bioma. A expectativa é que a medida dê visibilidade ao semiárido e abra caminhos para o Plano Brasil Nordeste de Transformação Ecológica, reforçando o papel do país como peça-chave no combate global à desertificação.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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