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Violência infantil: Unicef e entidades exigem compromisso de candidatos nas Eleições 2026

Brasil e Mundo

Em um movimento para elevar o tom do debate eleitoral, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública lançaram um alerta urgente: o combate à violência contra crianças e adolescentes deve ser prioridade absoluta nas propostas dos candidatos que disputam as eleições de 2026. A iniciativa busca confrontar promessas simplistas com soluções baseadas em dados concretos.

Um grito por soluções reais

Joaquim Gonzales-Aleman, representante da ONU, destacou que a violência, tanto dentro quanto fora de casa, tornou-se a maior preocupação da agência neste pleito. Com o fim do prazo de registro de candidaturas, especialistas da Unicef irão analisar minuciosamente os planos de governo de presidenciáveis e governadores, buscando identificar propostas que vão além do discurso e ataquem a raiz da criminalidade contra menores.

O cenário da tragédia

Embora dados apontem uma redução de 10,8% nas mortes violentas intencionais de menores entre 2024 e 2025, o cenário ainda é estarrecedor: foram 2.079 ocorrências no último ano, o que equivale a uma média de cinco mortes diárias. A maioria das vítimas é composta por jovens negros de 12 a 17 anos, mas a violência também atinge gravemente crianças de até 11 anos.

Combate estrutural, não punitivista

A representante adjunta da Unicef, Layla Saad, critica a banalização do tema e defende que o problema exige uma política nacional coordenada, com fontes orçamentárias definidas, em vez de medidas reativas ou meramente punitivistas. “Não se trata apenas de segurança pública, mas de olhar para as causas estruturais da violência”, afirmou.

Desmistificando a violência

O sociólogo Cauê Martins, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, reforça que o debate público muitas vezes ignora a realidade. Dados oficiais mostram, por exemplo, que 65% dos casos de estupro de vulneráveis ocorrem dentro de casa, cometidos por pessoas próximas. Segundo o especialista, o foco em medidas como a redução da maioridade penal desvia a atenção da necessidade de políticas públicas baseadas em evidências e transparência de dados.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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