Um novo levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) traz números que desafiam a narrativa utilizada pelo governo dos Estados Unidos para justificar a recente taxação sobre produtos brasileiros. Dados compilados entre janeiro e junho de 2026 revelam que 588 áreas protegidas na Amazônia — o que representa mais de 80% desses territórios — não sofreram nenhum registro de desmatamento no período.
Dados contra as tarifas
O anúncio da Casa Branca de impor uma tarifa adicional de 25% sobre exportações brasileiras teve o desmatamento ilegal como um de seus principais pilares argumentativos. Em contrapartida, o governo brasileiro classificou a medida como indevida, ressaltando que o país mantém uma trajetória consistente de queda nos índices de supressão florestal desde 2023.
Menor índice em oito anos
Os números do Imazon dão sustentação à tese oficial. No primeiro semestre de 2026, a Amazônia registrou 1.145 quilômetros quadrados de floresta derrubada, uma queda de 10% em relação ao mesmo período do ano passado. Trata-se do índice mais baixo para um primeiro semestre nos últimos oito anos. Quando comparado ao pico da série histórica, ocorrido em 2022, a redução é expressiva: 76%.
Desafios e focos de pressão
Apesar da melhora no cenário geral, o relatório aponta pontos críticos. A Área de Proteção Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, no Pará, concentrou sozinha cerca de metade do desmatamento total registrado em áreas protegidas, com 47,85 km² devastados. Outro ponto de atenção é a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, também no Pará. A unidade enfrenta um cenário de vulnerabilidade após a aprovação de um projeto de lei no Senado que reduz seu território, medida que especialistas apontam como um incentivo a invasores ilegais.
Panorama estadual
A tendência de queda no desmatamento é predominante na Amazônia Legal. Entre agosto de 2025 e junho de 2026, apenas dois estados registraram aumento no desmatamento: Roraima (25%) e Maranhão (20%). Os demais estados apresentaram resultados positivos, com quedas significativas lideradas por Tocantins (67%) e Mato Grosso (27%). Em volume absoluto de área desmatada no período, o ranking é liderado pelo Pará (684 km²), seguido por Mato Grosso (509 km²) e Amazonas (378 km²).
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

