Governo do Amazonas anuncia pagamento de R$ 18 milhões para o Passe Livre
O Governo do Amazonas anunciou, nesta terça-feira (21), a liberação de R$ 18 milhões para quitar seis meses de pendências do Passe Livre Estudantil destinado aos alunos da rede estadual em Manaus. O anúncio foi feito pelo vice-governador, Serafim Corrêa, durante coletiva de imprensa, como uma medida para ajudar a normalizar o transporte público na capital.
A decisão veio após o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram) alegar uma dívida superior a R$ 44 milhões — chegando a citar R$ 90,1 milhões em valores acumulados — e ameaçar a continuidade da gratuidade estudantil em meio à crise no setor.
Estado contesta valores cobrados pelo Sinetram
Para o Governo do Estado, a conta apresentada pelo sindicato não condiz com a realidade. Segundo Serafim Corrêa, o valor devido corresponde ao período de fevereiro a julho de 2026, com base no valor da meia-passagem (R$ 2,50). O montante será depositado em até 24 horas.
O vice-governador reforçou que o impasse financeiro não é o motivo da greve dos rodoviários, que paralisou a frota por atrasos nos salários da categoria, mas destacou que o governo decidiu intervir para evitar que o transtorno aos estudantes fosse agravado.
Prefeitura nega débitos com o sistema
Em paralelo, o prefeito de Manaus, Renato Júnior, afirmou que o município está com as contas em dia com o setor de transporte. Segundo o executivo municipal, foram repassados R$ 284 milhões ao Sinetram ao longo de 2026, cumprindo rigorosamente os prazos. “A prefeitura não deve nada, nenhum real de 2026 ao transporte coletivo”, declarou o prefeito, que ainda se posicionou contra qualquer tentativa de retirar o benefício dos estudantes da rede pública.
O imbróglio da tarifa técnica
A divergência central entre o governo e as empresas de ônibus gira em torno do custo da passagem. O Estado mantém o entendimento de pagar R$ 2,50 por cada gratuidade, valor correspondente à meia-passagem estudantil, conforme decisão judicial. Por outro lado, o Sinetram exige o pagamento baseado na tarifa técnica — o custo operacional real do sistema —, que ultrapassa os R$ 8,00.
Essa disputa jurídica se arrasta desde 2025, após o fim do convênio entre o governo estadual e a prefeitura, o que obrigou o Estado a assumir o pagamento direto às empresas para garantir que os alunos da rede estadual continuem utilizando o benefício.
Greve dos rodoviários segue com frota reduzida
Enquanto o governo e as empresas discutem valores, a população de Manaus continua sendo a mais prejudicada. A paralisação dos rodoviários, iniciada na última segunda-feira (20), foi motivada pelo atraso no pagamento de salários pela categoria. Apesar de o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-11) ter considerado a greve abusiva e determinado o retorno parcial da frota, o sistema ainda opera com limitações, gerando longas filas e incertezas nos terminais da cidade.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

