A rotina no Distrito Industrial de Manaus voltou ao normal nesta segunda-feira (20). Após dias de tensão provocados pelo vazamento de estireno na empresa Innova, a Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) confirmou a liberação para o retorno das atividades. A decisão foi tomada por um comitê técnico que atestou, após rigorosas avaliações, que não existem mais riscos para os trabalhadores e moradores da região.
Retorno gradual às atividades
Com a área considerada segura pelo Corpo de Bombeiros, fábricas que haviam suspendido suas operações por precaução voltaram a funcionar, assim como escolas estaduais da localidade e o Serviço de Pronto Atendimento ao Cidadão (PAC) do Studio 5. O coronel Orleilso Muniz, comandante-geral dos Bombeiros, garantiu que as medições indicam “emissão zero” na área do incidente. No entanto, o trabalho de resfriamento do tanque na fábrica da Innova prosseguirá pelos próximos meses até que o produto químico seja totalmente removido e a estrutura desativada.
Monitoramento e investigação
O episódio está sob análise rigorosa dos órgãos de controle. Enquanto o Ipaam segue monitorando a qualidade do ar e os impactos ambientais, a Suframa abriu um procedimento administrativo para apurar as responsabilidades da empresa no cumprimento das normas de segurança. O objetivo é entender como a falha ocorreu e garantir que o Polo Industrial cumpra integralmente suas obrigações legais.
Impacto na saúde pública
O vazamento mobilizou a rede de saúde estadual. Entre quarta-feira (16) e domingo (19), foram contabilizados 552 atendimentos de pessoas com sintomas típicos da inalação de estireno, como tontura, náusea e irritação respiratória. A Secretaria de Saúde (SES-AM) reforça que o monitoramento continua e orienta a população a buscar ajuda nas unidades de saúde ou acionar o Samu pelo número 192 caso apresentem mal-estar. A pasta também investiga, por meio de comissão técnica, se o óbito de um homem de 60 anos, ocorrido no sábado, possui relação direta com o incidente químico.
Prejuízo milionário para a Innova
A conta pelo erro operacional é alta. Somadas, as multas aplicadas pela Prefeitura de Manaus e pelo Governo do Estado ultrapassam a marca de R$ 22,4 milhões. As punições englobam poluição atmosférica, contaminação do solo e danos a corpos hídricos, além de irregularidades na bacia de contenção identificadas por drones térmicos. O valor arrecadado com as multas municipais será direcionado ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA).
Entenda o caso
O vazamento de monômero de estireno — substância utilizada na produção de plásticos e isopor — começou na última quarta-feira (16), na Unidade IV da empresa Innova. O forte odor químico rapidamente se espalhou, causando pânico e a evacuação de estabelecimentos vizinhos. A principal linha de investigação aponta para uma reação química espontânea dentro do tanque de armazenamento, que resultou na liberação do gás tóxico.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

