Dólar perto de R$ 5,10 sob pressão externa e tarifas
O mercado financeiro encerrou a quinta-feira (16) sob um clima de cautela e aversão ao risco. O dólar comercial fechou em alta de 0,4%, cotado a R$ 5,098, impulsionado pela força da moeda americana no cenário global e pela repercussão das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
Efeito das tarifas americanas
No radar dos investidores, a taxação de 25% sobre parte das exportações brasileiras gerou apreensão. Embora o governo dos EUA tenha mantido exceções importantes — preservando itens como aeronaves, café e carne —, a medida reacendeu o temor sobre o fluxo cambial e o desempenho da balança comercial brasileira. O governo brasileiro, por sua vez, avalia os impactos e a possível aplicação da Lei da Reciprocidade como resposta.
Cenário econômico nos EUA
A valorização da divisa americana também se deve à resiliência da economia dos Estados Unidos. Dados recentes mostraram um mercado de trabalho aquecido, com apenas 208 mil novos pedidos de auxílio-desemprego, além de um consumo consistente no varejo. Esse cenário reforça a expectativa de que o Federal Reserve (Fed) mantenha os juros em patamares elevados por mais tempo, o que atrai capital para o dólar e pressiona moedas de países emergentes.
Bolsa em queda e recuo no petróleo
O Ibovespa acompanhou a tendência global de pessimismo e recuou 1,24%, encerrando o dia aos 173.825 pontos. A queda foi puxada, sobretudo, pelo setor de commodities: a Petrobras sofreu com a desvalorização do petróleo, e o setor de mineração registrou perdas com a queda do minério de ferro. Apesar da escalada de tensões no Oriente Médio, com ameaças de grupos iemenitas a rotas estratégicas como o Estreito de Ormuz, o petróleo fechou em baixa, registrando US$ 84,23 (Brent) e US$ 78,95 (WTI).
Resumo do fechamento
Apesar da pressão desta quinta-feira, o saldo do ano ainda é positivo para o mercado local: o dólar acumula queda de 7,12% em 2026, enquanto o Ibovespa mantém uma alta de 7,88% no acumulado de 2026, evidenciando que, apesar da volatilidade recente, o mercado ainda busca ajustar suas expectativas frente aos riscos geopolíticos e comerciais.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

