O vazamento de monômero de estireno ocorrido na fábrica da Innova, localizada no Distrito Industrial de Manaus, acendeu o alerta máximo na capital amazonense. Especialistas e autoridades reforçam que a substância, essencial na fabricação de plásticos e isopor, exige cautela redobrada devido ao seu potencial tóxico e à facilidade com que se dispersa no ar.
Riscos à saúde e ao ambiente
Segundo a chefe do Departamento de Química da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Karime Bentes, o estireno é um produto que evapora rapidamente. Ao se transformar em gás, torna-se mais denso que o oxigênio e tem grande capacidade de alcance, podendo atingir áreas distantes do ponto de origem. A exposição à substância, seja por inalação ou contato, pode causar quadros imediatos de irritação nas vias aéreas e nos olhos, além de tonturas, náuseas e dores de cabeça intensas.
Outro ponto de atenção é a interação com o clima da região. A especialista alerta que, dependendo da concentração do gás na atmosfera, o contato com a água da chuva pode desencadear reações químicas, gerando novos compostos nocivos e a precipitação de estireno líquido, o que elevaria o risco de contaminação para a fauna, a flora e o solo de Manaus.
Entenda o caso
A emergência química teve início às 17h36 da última quarta-feira (15), quando o tanque da empresa registrou uma elevação anormal de temperatura. A Innova informou que os vapores foram liberados por dispositivos de segurança como medida de controle. Desde então, a situação mobiliza órgãos de segurança, Defesa Civil e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), que fiscalizam o cumprimento do Plano de Ação de Emergência (PAE) da indústria.
Impacto na rede de saúde
O reflexo do incidente na saúde pública foi imediato. De acordo com a Secretaria de Saúde do Amazonas (SES-AM), 149 pessoas buscaram atendimento em unidades da rede estadual apresentando sintomas como falta de ar, tontura e desmaios. A maioria dos pacientes, após avaliação médica, recebeu alta, mas oito pessoas permaneciam internadas até a última atualização dos órgãos oficiais.
Operação de resfriamento
As equipes do Corpo de Bombeiros continuam trabalhando no resfriamento dos tanques da fábrica. Segundo a corporação, a maior parte do material que ainda é expelido — cerca de 80% — é composta por partículas de água, fruto do processo de resfriamento contínuo para evitar novas reações químicas. O monitoramento das áreas próximas e das escolas do entorno segue rigoroso para garantir a segurança da população manauara.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

