Exigência de capitulação
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que as negociações comerciais recentes com os Estados Unidos foram marcadas por uma postura intransigente de Washington. Segundo o chanceler, o governo norte-americano buscou uma “capitulação” do Brasil ao exigir a abertura irrestrita de setores inteiros da economia nacional sem oferecer qualquer contrapartida aos produtos brasileiros.
Em declaração à imprensa nesta quinta-feira (16), Vieira destacou que o incômodo dos EUA deriva da recusa brasileira em ceder a “pretensões desmedidas”. A tensão escalou após os Estados Unidos anunciarem uma tarifa adicional de 25% sobre diversos produtos brasileiros, sob a justificativa de práticas comerciais “desleais” — alegação que o governo brasileiro refuta categoricamente.
Resposta a Marco Rubio
O chefe do Itamaraty rebateu críticas feitas pelo secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que atribuiu o fracasso das negociações ao “ego” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vieira classificou a declaração como “grosseira e arrogante” e defendeu a postura do governo brasileiro.
“O que Rubio chama de ego é, na verdade, a convicção inabalável do presidente Lula na defesa da soberania nacional e dos interesses dos nossos trabalhadores”, afirmou o ministro. Vieira reforçou que o Brasil manteve um esforço diplomático constante, citando a realização de mais de 30 reuniões — presenciais, virtuais e telefônicas — desde março de 2025 na tentativa de evitar o aumento das tarifas.
Motivação política por trás do tarifaço
Para o governo brasileiro, as medidas dos EUA possuem natureza política, servindo como uma tentativa de enquadrar o país devido à ausência de um alinhamento total com as diretrizes da Casa Branca. O chanceler apontou que a falta de racionalidade nas tarifas fica evidente no histórico comercial recente: nos últimos 15 anos, os EUA acumularam um superávit de US$ 424 bilhões com o Brasil.
Além disso, dados do Itamaraty mostram que, em 2025, 76% das importações de origem norte-americana entraram no mercado brasileiro com isenção total de impostos. Vieira relembrou ainda que a pressão dos EUA sobre o Brasil tem precedentes políticos, citando uma investigação iniciada sob o governo Trump após o julgamento de envolvidos em atos antidemocráticos no Brasil.
Defesa do Pix e políticas ambientais
Durante o pronunciamento, Mauro Vieira também rebateu as críticas dos EUA ao Pix e às políticas ambientais brasileiras, classificando-as como descabidas. Sobre o sistema de pagamentos instantâneos, o ministro ressaltou que ele é uma infraestrutura pública acessível a todas as instituições financeiras que operam no país, não configurando competição desleal.
Quanto às críticas sobre o desmatamento, o chanceler enfatizou que o país obteve resultados concretos. “Desde 2022, reduzimos significativamente o desmatamento na Amazônia e no Cerrado. As justificativas norte-americanas para a aplicação dessas tarifas simplesmente não têm lastro na realidade”, concluiu.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

