A empresa Innova foi multada novamente pela Prefeitura de Manaus, nesta sexta-feira (17), devido ao vazamento do produto químico monômero de estireno. Desta vez, a autuação aplicada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) foi de R$ 5,3 milhões. O valor foi definido após o uso de drones com câmeras térmicas flagrar fissuras em um dos tanques e confirmar que o vazamento ainda persiste.
Conta milionária por danos ambientais
Com esta nova punição, a empresa acumula multas que somam quase R$ 10 milhões em apenas dois dias. Na quinta-feira (16), a prefeitura já havia aplicado uma multa de R$ 4,5 milhões por poluição do ar. A autuação mais recente, equivalente a 35 mil Unidades Fiscais do Município (UFMs), refere-se especificamente à poluição do solo e de corpos hídricos detectada na área da fábrica.
De acordo com a prefeitura, todo o recurso arrecadado será destinado ao Fundo Municipal para o Desenvolvimento e Meio Ambiente (FMDMA), que financia projetos ambientais na capital amazonense. A Innova, até o momento, não se pronunciou sobre as novas sanções.
Impactos na saúde e trabalho dos bombeiros
O incidente, que completou mais de 48 horas, mobilizou equipes do Corpo de Bombeiros, que continuam no local realizando o resfriamento dos tanques para evitar novos riscos. Até a tarde desta sexta-feira, a rede estadual de saúde já havia prestado 211 atendimentos a pessoas que buscaram socorro com sintomas como náuseas, tonturas, dores de cabeça e falta de ar.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM) informou que apenas um paciente segue internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI), com quadro estável. Sobre o falecimento de um idoso de 67 anos que deu entrada em uma unidade hospitalar, a secretaria esclareceu que o paciente sofria de doenças respiratórias crônicas e que, até o momento, não foi estabelecido um vínculo direto com o vazamento de gás.
O que causou o acidente?
O monômero de estireno, utilizado na fabricação de plásticos e isopor, passou por uma elevação anormal de temperatura no reservatório. Segundo o comandante-geral dos Bombeiros, coronel Muniz, a principal hipótese é uma reação química espontânea dentro do tanque. “A molécula do estireno se quebra, gerando uma reação em cadeia que superaquece o produto”, explicou.
Os Bombeiros reforçam que, se as válvulas de segurança não tivessem sido acionadas automaticamente, o cenário poderia ter resultado em uma explosão. Atualmente, a maior parte do que é expelido pelo tanque é vapor d’água proveniente do resfriamento, com uma concentração de estireno significativamente reduzida.
Orientações à população
Especialistas em química alertam que o estireno possui um odor forte e adocicado, podendo causar irritações severas. Para quem reside ou trabalha em áreas próximas, a Defesa Civil orienta manter o ambiente ventilado com portas e janelas abertas e desligar sistemas de ar-condicionado que realizem a captação de ar externo. O uso de máscaras do tipo N95 ou P2 é recomendado caso haja persistência de odores no local.
Em caso de mal-estar, confusão mental ou dificuldade respiratória, a recomendação oficial é procurar imediatamente a unidade de saúde mais próxima.
Informações baseadas no portal G1 Amazonas.

