Alerta global: 13,5 milhões de bebês sem vacinação básica
Um levantamento divulgado nesta quarta-feira (15) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela um cenário preocupante: cerca de 15% dos bebês em todo o mundo ainda não recebem a cobertura vacinal completa durante o primeiro ano de vida. Em 2025, o número de crianças classificadas como “zero-dose” — aquelas que não receberam nenhuma vacina — chegou a 13,5 milhões.
Além disso, outras 7,3 milhões de crianças não completaram o esquema básico de três doses da vacina DTP (difteria, tétano e coqueluche). Embora os dados indiquem uma leve recuperação em relação ao ano anterior, o Unicef alerta que os índices permanecem em patamares perigosos, próximos aos registrados em 2009 e ainda distantes dos níveis observados antes da pandemia de Covid-19.
O perigo do sarampo e a falha no ciclo de imunização
O abandono do calendário vacinal é um dos pontos críticos do relatório. A taxa de imunização contra o sarampo ilustra bem esse déficit: enquanto 84% das crianças recebem a primeira dose (MCV1), apenas 77% completam o ciclo com a segunda aplicação (MCV2). O limite de segurança estipulado por especialistas para evitar surtos é de 95%. Como consequência dessa lacuna, o mundo registrou mais de 411 mil casos de sarampo em 57 países durante o último ano.
Conflitos e vulnerabilidades travam avanços
O estudo, que compilou informações de 195 países, aponta que o progresso na imunização é heterogêneo. Enquanto 100 nações mantêm coberturas acima de 90%, 65 países permanecem estagnados ou enfrentam retrocessos. Mais da metade das crianças “zero-dose” vive em zonas de conflito ou áreas de alta vulnerabilidade, onde a instabilidade política e o subfinanciamento crônico dificultam o acesso básico à saúde.
Surpreendentemente, o problema também atinge nações de renda média e alta. Países como África do Sul e Bósnia e Herzegovina, que possuem estabilidade e outros indicadores de saúde positivos, registraram quedas expressivas na cobertura de vacinas essenciais, evidenciando que a hesitação vacinal e desafios estruturais são ameaças globais que transcendem a economia.
Brasil: progresso constante, mas com ressalvas
Na contramão de muitos países, o Brasil apresenta uma trajetória de melhora na cobertura vacinal e redução no número de crianças sem nenhuma dose, estimadas atualmente em 50 mil. A exceção nacional ainda é a vacina DTP, cujo ciclo completo alcança 86% da população infantil.
Apesar da tendência positiva, o país enfrenta uma crítica importante: a falta de levantamentos independentes sobre imunização nos últimos cinco anos. Essa prática, recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo próprio Unicef, é considerada essencial para assegurar a transparência e a qualidade dos dados públicos, garantindo que o progresso registrado não seja apenas aparente.
O desafio da sustentabilidade
O futuro da imunização global está sob pressão. Com cortes orçamentários internacionais — especialmente por parte do governo dos Estados Unidos — e o enfraquecimento dos sistemas nacionais de monitoramento, especialistas advertem que o impulso atual pode ser perdido. “O grande desafio será manter esse ritmo diante das restrições financeiras e incertezas geopolíticas”, afirmou a Dra. Sania Nishtar, CEO da Gavi, aliança global de vacinação.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

