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Sobrecarga doméstica: o peso invisível que aprisiona mulheres em ciclos de violência

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A responsabilidade excessiva pelo cuidado com filhos, parentes e pela administração do lar — uma carga historicamente atribuída às mulheres — tornou-se um dos principais vetores de vulnerabilidade à violência de gênero no Brasil. Enquanto a Lei Maria da Penha completa duas décadas de vigência neste dia 7 de agosto, especialistas alertam que a sobrecarga doméstica, somada à dependência financeira e psicológica, cria um cenário onde a mulher se vê refém dentro de sua própria casa.

O peso desproporcional

Dados da Pnad Contínua de 2022 confirmam a desigualdade: enquanto homens dedicam, em média, 11,7 horas semanais ao trabalho doméstico e de cuidado, as mulheres investem 21,3 horas. Para a professora Thamires da Silva Ribeiro, da Uerj, essa disparidade é o que impede a autonomia necessária para o rompimento de ciclos abusivos. “Mulheres sobrecarregadas, atuando no âmbito privado e sem independência econômica, encontram barreiras muito mais rígidas para buscar ajuda ou sair de um relacionamento violento”, explica.

A ilusão da dependência emocional

A violência de gênero não escolhe classe social. A advogada e professora Marilha Boldt ressalta que a dependência vai muito além do dinheiro. “Uma mulher com alta renda pode sofrer controle financeiro e, sobretudo, uma dependência psicológica que a faz acreditar, erroneamente, que não possui potencial para recomeçar sua vida sem o agressor”, afirma.

Números que assustam

O cenário nacional é crítico. Em 2025, o Brasil registrou 1.571 casos de feminicídio, o que representa uma média superior a quatro mortes por dia. Destes, 80% foram cometidos por parceiros ou ex-parceiros. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública aponta que, mesmo com mecanismos de proteção, o descumprimento de medidas protetivas cresceu 16,7%, evidenciando a fragilidade da segurança cotidiana dessas mulheres.

Rede de Apoio: Não se cale

Especialistas reforçam que a violência doméstica não deve ser tratada como um problema particular. O silêncio da sociedade e da rede de apoio familiar pode ser fatal. Para quem precisa de auxílio, o principal canal é a Central de Atendimento à Mulher, o Ligue 180, que funciona 24 horas por dia, de forma gratuita e sigilosa. Em casos de emergência e risco imediato, a Polícia Militar deve ser acionada imediatamente pelo 190.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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