A sambista e compositora Geovana, figura central na música brasileira por exaltar suas raízes africanas mesmo sob a censura da ditadura militar, acionou a Justiça em busca de reparação. A artista contesta a regravação de um de seus maiores sucessos, Tataruê (1975), realizada pelo rapper Marcelo D2 em 2025, alegando apagamento autoral e falhas no pagamento de direitos conexos.
A batalha pelo reconhecimento
A defesa de Geovana aponta que a artista não foi consultada sobre a nova versão da música, tampouco remunerada adequadamente. O impasse envolve a Universal Music Publishing, detentora de contratos assinados pela cantora em 1976. Além da questão financeira, a ação destaca o uso do nome civil de Geovana na ficha técnica da regravação, ignorando seu consagrado nome artístico.
Atualmente, o processo tramita na 1ª Vara Civil do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ), com pedido de indenização por danos morais e materiais. O objetivo principal é a correta atribuição de crédito à compositora e a regularização dos pagamentos que a artista afirma não receber há anos.
Decisão judicial garante crédito
Em uma primeira vitória para a sambista, o desembargador Jean Albert de Souza Saadi, do TJRJ, concedeu uma liminar determinando a inclusão imediata do nome artístico de Geovana nos créditos do videoclipe de Marcelo D2 e em todas as plataformas de distribuição. O magistrado justificou a urgência citando o risco de danos ao legado da artista e o desrespeito ao Estatuto da Pessoa Idosa.
A decisão estipula prazo de 10 dias para a correção, sob pena de multa diária que pode chegar a R$ 100 mil. Enquanto a defesa de Geovana celebra a medida, o advogado de Marcelo D2, Thiago Endrigo, alega que a inclusão do nome já estava em curso antes da decisão. O advogado da compositora contesta, afirmando que a regularização só ocorreu após a intervenção judicial.
Contratos e impasses
Geovana afirma que a regravação de sua obra sem autorização direta é uma prática abusiva. Por sua vez, a defesa do rapper justifica que o uso da música foi feito por meio de licenciamento da Universal Music Publishing, baseando-se no contrato original da artista. A defesa de Geovana, contudo, argumenta que o contrato com a editora — assinado em um período de vulnerabilidade durante a ditadura — foi rescindido unilateralmente pela cantora em 2023, devido a sucessivas omissões e falta de prestação de contas.
Apesar das divergências, o representante de Marcelo D2 declarou que a equipe do artista está aberta ao diálogo e disposta a garantir a visibilidade e a compensação devida à compositora. Já Geovana mantém sua postura crítica, denunciando o que chama de negligência histórica das editoras com artistas veteranos. Até o momento, a Universal Music Publishing não se manifestou sobre as acusações.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.

