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Projeto cultural quebra barreiras e leva moradores da periferia ao coração histórico de Salvador

Brasil e Mundo

Uma experiência transformadora

Moradores do bairro de Águas Claras, em Salvador, viveram um final de semana inesquecível ao serem transportados da rotina periférica para o rico cenário cultural do centro histórico. Pela primeira vez, grupos comunitários puderam explorar a Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), a Fundação Casa de Jorge Amado e o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab).

Para Soraia Santos Pinto, de 61 anos, a visita foi um divisor de águas. Frequentadora de uma biblioteca comunitária que lhe devolveu o ânimo após enfrentar a depressão, Soraia resumiu o sentimento de muitos: a necessidade de democratizar o acesso à arte. ‘Isso abre o nosso entendimento. Precisamos levar a cultura ao povo ou trazer o povo até ela’, afirmou.

Desafios de acesso

O passeio revelou uma realidade ainda comum no Brasil: a dificuldade de deslocamento e o custo logístico impedem muitas famílias de acessar os principais equipamentos culturais da capital baiana. Maian Oliveira, que levou seus três filhos, reforçou que, para quem cuida de várias crianças, o acesso ao centro histórico torna-se um desafio cotidiano, muitas vezes inviabilizado pela falta de estrutura de transporte.

A cultura como ponte

A iniciativa foi realizada pelo projeto ‘Circuito Cultural’, do Instituto Motiva, que busca combater a desigualdade no acesso à arte. A articuladora territorial Aline Dias destaca que, embora bairros como Águas Claras possuam uma vida comunitária vibrante, a conexão com o restante da cidade ainda é um desafio a ser superado por políticas públicas.

‘Se houver investimento nas comunidades, vamos expandir as esferas literárias. Elas têm muito a falar e a escrever’, defende Aline. Com dados do IBGE e do Observatório Fundação Itaú indicando que o acesso a museus e festivais ainda é restrito às camadas de maior renda, o projeto reafirma a cultura como uma ferramenta essencial de transformação social e ampliação de horizontes para quem, historicamente, foi deixado à margem dos grandes eventos urbanos.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

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