A resistência na ponta da língua
No final da década de 1970, enquanto o Brasil enfrentava os anos mais sombrios da ditadura militar, um grupo de jovens estudantes baianos escolheu as praças públicas como trincheira. O movimento ‘Poetas na Praça’ não apenas levava literatura às ruas, mas transformava o verso em um ato audacioso de resistência política e social.
Um desafio à repressão
Ametista Nunes, uma das fundadoras e a única mulher no grupo inicial, relembra que o cenário era de silenciamento. Com o regime proibindo músicas, artes e perseguindo intelectuais, o grupo escolheu um palco simbólico: a Praça da Piedade, em Salvador, localizada estrategicamente em frente à Secretaria de Segurança Pública. Ali, os poetas declamavam versos subversivos e provocativos, desafiando a censura com coragem.
Poesia para o povo
Além da postura política, o movimento revolucionou a forma como a literatura era consumida. Ao adotar uma linguagem coloquial, urbana e direta, os poetas democratizaram o gênero literário, aproximando-o dos transeuntes. Segundo Douglas de Almeida, outro integrante do grupo, o trabalho não parava na performance: eles editavam antologias com clássicos da literatura brasileira, como Manuel Bandeira e Cecília Meireles, criando um verdadeiro projeto pedagógico para quem não possuía o hábito da leitura.
O legado vive
Apesar do tom subversivo, os poetas também cantavam o amor como forma de resistência. Hoje, o legado do grupo é celebrado na Festa Literária Internacional do Pelourinho (Flipelô), que reafirma que a arte continua sendo o instrumento essencial para tocar corações e transformar mentes em qualquer época. Para Ametista, a arte segue sendo o motor de mudança social que o país tanto precisa.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

