toms0027

Pesquisa mostra que vacinação diminuiu prevalência de HPV ente jovens

Brasil e Mundo Saúde

Impacto da vacinação contra o HPV no Brasil

Um levantamento inédito realizado na América Latina aponta resultados expressivos sobre o combate ao papilomavírus humano (HPV) no Brasil. A prevalência dos principais tipos do vírus caiu quase pela metade após a implementação da vacinação no país, consolidando a eficácia do imunizante na proteção da população jovem.

Os dados, obtidos pela pesquisa Pop-Brasil — realizada pelo Hospital Moinhos de Vento em parceria com o Ministério da Saúde —, compararam amostras coletadas em dois períodos. Enquanto entre 2016 e 2017 a prevalência dos quatro tipos de HPV cobertos pela vacina era de 14,98%, o índice caiu para 7,95% no período entre 2020 e 2023.

O desafio da cobertura vacinal

O foco do estudo foram jovens de 16 a 25 anos, faixa etária que concentra a maior prevalência do vírus devido ao início da atividade sexual. Segundo a médica epidemiologista Eliana Wendland, líder da pesquisa, a expectativa era que esse grupo estivesse amplamente vacinado. No entanto, a realidade mostrou números preocupantes: apenas 61,8% das mulheres e 31,1% dos homens nessa faixa haviam recebido as doses, ficando muito abaixo da meta de 90% preconizada pelas autoridades de saúde.

Proteção coletiva e disparidade de gênero

A vacinação demonstrou um importante “efeito rebanho” entre o público feminino. Entre as mulheres vacinadas, a detecção do vírus caiu drasticamente de 15,6% para 3,1%. Além disso, mesmo entre as não vacinadas, houve uma redução na prevalência do vírus, sinalizando que a alta adesão de uma parcela da população contribui para frear a circulação do agente infeccioso.

Já entre o público masculino, a disparidade de gênero no acesso à vacina cobrou seu preço. Embora a prevalência entre homens vacinados tenha caído de 13,8% para 4,6%, não houve alteração significativa entre os não vacinados. Segundo os especialistas, isso ocorre porque meninos ainda recebem menos incentivo à imunização, muitas vezes por causa do mito de que o HPV é uma preocupação exclusivamente feminina.

Eficácia do esquema de dose única

Um dos achados mais relevantes da pesquisa é a confirmação de que o esquema atual adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que utiliza dose única, é eficaz. O estudo não apontou diferenças estatísticas na prevalência do vírus entre pessoas que receberam uma, duas ou três doses da vacina.

O vírus HPV é o principal responsável pelo câncer do colo do útero, além de estar associado a tumores em outras áreas, como ânus, pênis e garganta. Atualmente, o SUS oferece a vacina para crianças e adolescentes de 9 a 14 anos, além de grupos prioritários específicos, como pessoas imunossuprimidas e vítimas de violência sexual. Enquanto a prevalência dos subtipos protegidos pela vacina caiu, o estudo observou que a prevalência geral de outros tipos de HPV na população subiu, reforçando a importância fundamental da imunização preventiva.


Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *