Marcas indeléveis da ditadura
Pesquisadores da Unifesp, em colaboração com uma rede de universidades, realizaram uma descoberta impactante no antigo DOI-Codi de São Paulo. Utilizando técnicas avançadas de arqueologia forense, a equipe identificou resíduos compatíveis com sangue humano em áreas que, décadas atrás, serviam como salas de interrogatório do regime militar.
O tempo marcado na parede
Além dos vestígios biológicos, a investigação revelou um registro comovente de resistência. Em um banheiro do terceiro andar, sob camadas de tinta, foi encontrado um calendário gravado manualmente por um prisioneiro. Através de cruzamento de dados com depoimentos de ex-presos políticos, os pesquisadores confirmaram que a inscrição data de 1970, servindo como um testemunho silencioso da tentativa de manter a sanidade e a noção de tempo em meio ao confinamento.
Um edifício como documento
O DOI-Codi da Rua Tutóia, em São Paulo, foi palco de abusos sistemáticos, com pelo menos 52 mortes oficialmente reconhecidas e mais de 7 mil passagens de detentos. A pesquisa destaca que o prédio não é apenas um local físico, mas uma prova viva da história.
Apesar da impossibilidade de extrair DNA devido à degradação das amostras e às reformas constantes no prédio, os especialistas reforçam que o contexto arqueológico é irrefutável. A combinação de tecnologia de ponta, análise arquitetônica e relatos de sobreviventes transforma o próprio edifício em um documento histórico essencial para a memória nacional.
Fonte: Agência Brasil. Edição: AM Direto.
Foto da capa: Reprodução / Agência Brasil.

